Delator do mensalão diz que evita assistir às sessões

Antes mesmo sem a conclusão do voto do ministro do Supremo Tribunal Federal Celso de Mello, na tarde desta quarta-feira, 18, o ex-deputado Roberto Jefferson mostrava confiança de que os embargos infringentes seriam aceitos e o Supremo Tribunal Federal fará um novo julgamento do mensalão. Jefferson diz que não tem assistido às sessões do Supremo, mas foi informado por assessores e pelo advogado que está praticamente garantida a decisão em favor dos réus.

LUCIANA NUNES LEAL, Agência Estado

18 de setembro de 2013 | 16h28

Embora não seja diretamente beneficiado pelo novo julgamento, Jefferson comemorou: "Recebo com muita humildade. O Supremo afirma assim que a democracia não é o regime da passeata, é o regime da lei. O juiz não pode se submeter à pressão popular", afirmou Jefferson, por telefone, ao grupo Estado.

O delator do esquema do mensalão afirmou ainda não ter certeza se, tecnicamente, os réus que não serão diretamente beneficiados pelos embargos infringentes poderão ter as penas reduzidas.

Sobre a possibilidade de o novo procurador geral da República, Rodrigo Janot, pedir a execução imediata das penas dos réus que não terão novo julgamento, o ex-deputado afirmou: "As penas terão que ser executadas. Então, que se executem as penas e se evite postergar o sofrimento. É o que tem que ser."

Jefferson disse, porém, que ainda não sabe na prática como será o cumprimento do regime semiaberto que cabe no caso de sua condenação que é de 7 anos e 14 dias, pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro. O ex-deputado foi beneficiado com a redução de um terço da pena por ter sido o responsável pela denúncia do mensalão. Com isso escapou do regime fechado. A condenação dele foi unânime no caso de corrupção passiva e por 8 votos a 2 no caso de lavagem de dinheiro.

O ex-deputado disse que evita assistir às sessões do Supremo na televisão. "É muito espancamento moral público, muito sofrimento". Jefferson disse estar bem de saúde, depois do tratamento de quimioterapia que se seguiu a uma cirurgia para retirada de um câncer no pâncreas em julho do ano passado. Ele tem cuidado de algumas sequelas do tratamento, como problemas nos dentes que o obrigaram a fazer cinco implantes. "Graças a Deus os marcadores de câncer deram negativo. Agora é só ficar no acompanhamento. Não tenho medo de nada na vida, só de dentista", brincou o ex-deputado.

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