Rodolfo Buhrer/REUTERS
Rodolfo Buhrer/REUTERS

Delator diz que mulher de Santana estaria entre 'top five' dos maiores recebedores da Odebrecht

No depoimento, ex-executivo da empreiteira estima que tenham sido pagos em torno de US$50 milhões e US$60 milhões para Mônica Moura

Rafael Moraes Moura, Beatriz Bulla, Fabio Serapião e Breno Pires, O Estado de S.Paulo

24 Março 2017 | 15h40

BRASÍLIA - Ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o ex-executivo da Odebrecht Hilberto Mascarenhas explicou como era a relação com Mônica Moura, esposa e sócia do publicitário João Santana, e a rotina de pagamentos extraoficiais feitos ao casal. Mascarenhas chefiou de 2006 a 2015 o Setor de Operações Estruturadas da Odebrecht, conhecido como departamento da propina da empreiteira. No depoimento, ele diz que todo o contato de pagamento ao casal era feito com Mônica Moura, que estaria entre os “top five” – na lista dos cinco maiores recebedores de dinheiro do setor de propinas.

Ele estima que tenham sido pagos em torno de US$ 50 milhões e US$ 60 milhões para Mônica, identificada com o codinome “feira”. O delator disse que foram feitos pagamentos ao casal por campanhas no Brasil de 2010, 2012 e 2014. “Tinha diretores de obras no exterior, diretores que aprovavam indicações, aditivos, etc, que recebiam fortunas também. Com um detalhe, lá eles recebiam para eles, bolso, e aqui muitas vezes era para eleições, campanhas, etc”, narra Mascarenhas, sobre os outros integrantes do topo do ranking de pagamentos da Odebrecht.

Ele detalhou no depoimento que os pagamentos a Mônica Moura saíam da conta corrente vinculada ao “italiano”, apelido para identificar o ex-ministro da Fazenda, Antônio Palocci. A conta era usada na medida em que o partido dele, o PT, necessitasse, segundo o delator.

“Existia uma conta corrente onde foi aberto um crédito de X para o italiano por ele ter apoiado a empresa em determinada coisa. Aquele dinheiro que tinha aberto crédito não ia para ele, ficava para ele usar na medida em que o partido dele, que era o PT, necessitasse. Então pagar ao marqueteiro da campanha de Dilma é uma necessidade do PT. Então ele autorizava: preciso pagar dez milhões ao Dr João Santana. João Santana nunca apareceu, sempre quem aparecia era a Dra Monica Moura, que essa eu botei o codinome”, descreve Mascarenhas.

Ele explicou que pagamentos ao marqueteiro não foram feitos só relacionados a campanhas políticas no Brasil, mas também a serviços no exterior. “Pessoas de países que nós trabalhávamos como Angola, Panamá, El Salvador queriam eles na campanha deles. E eles diziam: só vou se a Odebrecht garantir o pagamento. Então sobrava para a gente pagar, não é? O responsável pelo país lá, nosso diretor de país, assumia o ônus de pagar a campanha que eles iam fazer para esses países”, descreve o delator.

Segundo ele, os valores eram sempre “bastante grandes” e Mônica Moura exigia que parte fosse paga no Brasil, com a justificativa de que tinha que pagar serviços feitos no País e funcionários. No Brasil, os valores eram pagos em espécie. Normalmente pagamentos a Monica Moura eram próximos de eleições no Brasil ou no exterior. 

O advogado Juliano Campelo Prestes, que representa Mônica e João Santana, disse que só pode se manifestar após ter acesso à integra dos depoimentos.

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