Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Delator diz que ministro do Esporte dirigiu licitação

Renato Pereira afirmou, em delação premiada à PGR, que em 2016 Leonardo Picciani (PMDB-RJ) direcionou licitação de R$ 55 milhões referente a serviços de publicidade da pasta para sua empresa, Prole Propaganda

O Estado de S.Paulo

17 Novembro 2017 | 00h41

O marqueteiro Renato Pereira afirmou, em delação premiada à Procuradoria-Geral da República, que em 2016 o ministro do Esporte, Leonardo Picciani (PMDB-RJ), direcionou uma licitação de R$ 55 milhões referente a serviços de publicidade da pasta para sua empresa, Prole Propaganda. Segundo o delator, o acordo foi fechado no gabinete do ministro, em Brasília.

A Prole chegou a ser classificada entre as vencedoras da licitação, mas desistiu da conta dois dias depois da prisão do ex-governador do Rio Sérgio Cabral (PMDB-RJ). Em nota, o ministro disse que a afirmação de Pereira é “mais uma mentira inventada por quem quer se safar dos próprios crimes que cometeu”. As informações foram reveladas pelo jornal Folha de S.Paulo.

Em sua delação, o marqueteiro relatou irregularidades nas campanhas de políticos da cúpula do partido no Rio, como o governador Luiz Fernando Pezão, Cabral e o ex-prefeito Eduardo Paes, além da senadora Marta Suplicy, em São Paulo. Todos os políticos negam as acusações de Pereira. 

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Em um dos anexos do seu acordo de colaboração premiada, Pereira também disse ter assinado um contrato falso com o Opportunity com o objetivo de fornecer dinheiro em espécie para o banco de Daniel Dantas.

Em nota, o banco afirmou que as acusações do delator são falsas. “O Opportunity não contratou a Prole e nunca teve contato com Renato Pereira”, afirmou. “A afirmativa do marqueteiro de que teria simulado um contrato de prestação de serviços com o Banco Opportunity é falsa. A mentira de Renato Pereira visa a desacreditar os laudos que foram apresentados em demandas internacionais e serve sob medida para os concorrentes do Opportunity”.

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Os termos da delação de Pereira foram tornados públicos pelo ministro Ricardo Lewandowski, do Supremo Tribunal Federal (STF), nesta terça-feira, 14. No mesmo dia, o ministro devolveu a delação à PGR para que a contrapartida dada ao delator seja adequada. 

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