Suellen Lima/Frame Photo
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Delator diz que avisou Marcelo Odebrecht sobre 'volume insano' de propina

Hilberto Mascarenhas também afirmou ao ministro Herman Benjamin, do TSE, ter brigado muitas vezes com seus superiores por causa de solicitações para pagamentos em alguns países 'impossíveis'

Rafael Moraes Moura, Beatriz Bulla, Fabio Serapião e Breno Pires, O Estado de S.Paulo

24 Março 2017 | 05h00

BRASÍLIA - O ex-chefe do Setor de Operações Estruturadas da Odebrecht Hilberto Mascarenhas afirmou ao ministro Herman Benjamin, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que avisou Marcelo Odebrecht algumas vezes sobre o "volume insano" de movimentações financeiras realizadas pela empreiteira. "Vai dar problema um dia ou outro", disse o executivo ao patrão.

O depoimento do delator foi no âmbito da Ação de Investigação Judicial Eleitoral (Aije) contra a chapa Dilma Rousseff-Michel Temer, reeleita em 2014.

Ao contar sobre como temia pela segurança dos funcionários do setor responsável por efetuar pagamentos para agentes públicos de várias nacionalidades e em diversas praças bancárias do mundo, o executivo afirmou ter brigado muitas vezes com seus superiores por causa de solicitações para pagamentos em alguns países "impossíveis".

Dentro da estrutura do setor, disse Mascarenhas, Fernando Migliaccio gerenciava o trabalho das secretárias Angela Palmeira e Maria Lúcia Tavares, responsáveis por acionar os operadores que efetuavam os pagamentos em espécie no Brasil. Luiz Eduardo Soares, o Luizinho, seria o nome por trás das grandes operações no exterior.

Como exemplo, o delator relatou um pagamento US$ 20 milhões solicitado para ser entregue em Angola. "O senhor não faz uma operação de US$ 20 milhões nesse mundo hoje. No mundo hoje, o senhor não faz. Então o senhor tem que criar vários caminhos para fazer esses pagamentos", afirmou, ao detalhar as manobras financeiras utilizadas pelo setor.

O delator citou a utilização de fundos de investimentos e transações entre contas dentro do mesmo banco e depois entre contas da mesma pessoa em bancos diferentes para que o dinheiro chegasse até o agente público sem despertar suspeita do compliance dos bancos. "Porque nós tivemos problemas de o banco chamar e dizer assim: tire a sua conta daqui, porque você está fazendo essa conta pagamentos diversos e eu sou um banco private", contou. "O Luiz Eduardo vivia muito nisso, entendeu? Identificar novos bancos", completou. 

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