André Dusek/Estadão
André Dusek/Estadão

Delator afirma que Temer pediu R$ 10 mi em 2014

Segundo ex-executivo da Odebrecht, recursos em espécie foram pagos por Marcelo Odebrecht a Eliseu Padilha e amigo do presidente

O Estado de S. Paulo

09 Dezembro 2016 | 22h40

O presidente Michel Temer pediu R$ 10 milhões ao empreiteiro Marcelo Odebrecht em 2014. A informação, antecipada nesta sexta-feira pelo site BuzzFeed e a revista Veja, foi confirmada pelo Estado e integra a delação do executivo Cláudio Melo Filho, ex-vice-presidente de Relações Institucionais da Odebrecht e um dos 77 delatores da empreiteira na Operação Lava Jato.

O Estado teve acesso à íntegra dos anexos da delação de Melo Filho, que trabalhou por 12 anos como diretor de Relações Institucionais da Odebrecht. No documento, ele afirmou que Temer teve ao menos um encontro com Marcelo Odebrecht naquele ano, quando concorreu à reeleição na chapa encabeçada por Dilma Rousseff. A reunião foi um jantar entre o então vice-presidente, Marcelo Odebrecht e o hoje ministro chefe da Casa Civil Eliseu Padilha no Palácio do Jaburu.

Conforme a delação, em 82 páginas, o executivo contou na delação que a maior empreiteira do País pagou propinas milionárias a integrantes da cúpula dos poderes Executivo e Legislativo.

Auxiliares. Segundo o delator, os R$ 10 milhões foram pagos em espécie a Padilha, um dos principais auxiliares do presidente. O dinheiro também teria sido repassado ao assessor especial do peemedebista, José Yunes, seu amigo há 50 anos.

O Estado também confirmou esta informação com uma fonte envolvida nas investigações da Lava Jato.

De acordo com a revista, deputados, senadores, ministros, ex-ministros e assessores da ex-presidente Dilma Rousseff também receberam propina. A distribuição de dinheiro ilícito teria alcançado integrantes de quase todos os partidos com representação no Congresso.

O delator, conforme o documento, apresentou e-mail, planilhas e extratos telefônicos para provar suas afirmações.

Uma das mensagens incluídas na delação mostra Marcelo Odebrecht, o dono da empresa, combinando o pagamentos a políticos importantes, identificados por valores e apelidos como “Justiça”, “Boca Mole”, “Caju”, “Índio”, “Caranguejo” e “Botafogo”.

As revelações de Mello Filho, na avaliação de investigadores da Lava Jato, têm um peso especial porque durante muitos anos ele atuou como o “braço” da Odebrecht no Congresso e nos bastidores do Executivo federal. Ele era o contato da empreiteira com deputados e senadores.

Em pelo menos um anexo ele cita os nomes de senadores peemedebistas a quem teria distribuído R$ 1 milhão. Em troca, esses políticos teriam agido em defesa dos interesses da Odebrecht no Congresso por meio da aprovação de projetos de lei.

Defesas. O presidente Michel Temer  divulgou uma nota à imprensa na noite desta sexta-feira para rechaçar as informações da delação do ex-vice-presidente de Relações Institucionais da Odebrecht, Cláudio Melo Filho. “O presidente Michel Temer repudia com veemência as falsas acusações do senhor Cláudio Melo Filho”, diz a nota.  “As doações feitas pela Construtora Odebrecht ao PMDB foram todas por transferência bancária e declaradas ao TSE. Não houve caixa 2, nem entrega em dinheiro a pedido do presidente” completa.

Também em nota, o senador Eunício Oliveira (PMDB-CE), rebateu as acusações. "O senador nunca autorizou o uso de seu nome por terceiros e jamais recebeu recursos para a aprovação de projetos ou apresentação de emendas legislativas. A contribuição da Odebrecht, como as demais, fora recebida e contabilizada de acordo com a lei. E as contas aprovadas pela Justiça eleitoral”. 

Outro citado, Romero Jucá (PMDB-RR), nega que tenha recebido recursos ilegais da construtora. "O senador Romero Jucá desconhece a delação do senhor Claudio Melo Filho mas nega que recebesse recursos para o PMDB. O senador está  à disposição da Justiça para prestar quaisquer esclarecimentos."

Já Moreira Franco diz que jamais falou de política com o delator. "É mentira. Reitero que jamais falei de política ou de recursos para o PMDB com o senhor Claudio Melo Filho."

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