Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Delator afirma que Palocci pediu doação

Segundo Veja, Fernando Baiano relatou que então chefe da campanha de Dilma em 2010 solicitou R$ 2 milhões

O Estado de S. Paulo

19 de setembro de 2015 | 17h13

O lobista Fernando Falcão Soares, o Fernando Baiano, apontado como operador do PMDB no esquema de corrupção na Petrobrás entre 2004 e 2014, disse em delação premiada à força-tarefa da Operação Lava Jato que participou, em 2010, de uma reunião com o ex-ministro Antonio Palocci e com o então diretor da Petrobrás Paulo Roberto Costa (Abastecimento) no comitê de Dilma Rousseff no qual teria sido discutido o acerto para uma doação ilícita de R$ 2 milhões para a campanha presidencial da petista. Palocci era o coordenador geral da campanha. A informação é da revista Veja. O jornal Folha de S.Paulo também cita detalhes do depoimento.

Os detalhes para o repasse teriam sido combinados com um dos coordenadores do comitê, que Palocci teria identificado como “dr. Charles”. Segundo a revista, Charles Capella era o coordenador administrativo da campanha e braço direito de Palocci.

O repasse de R$ 2 milhões já havia sido denunciado pelo ex-diretor Paulo Roberto Costa, também em termo de colaboração com o Ministério Público Federal. Segundo Costa, o doleiro Alberto Youssef levou a ele uma solicitação de Palocci para a doação naquele valor. Youssef, porém, negou a versão do ex-diretor. Os dois foram submetidos a acareação e mantiveram suas declarações.

Fernando Baiano foi preso em novembro de 2014 na Operação Juízo Final, que alcançou o braço empresarial do esquema de propinas na petroleira. Ele foi condenado a 16 anos e um mês de prisão por corrupção e lavagem de dinheiro. Na contratação de dois navios sondas da Petrobrás, em 2006 e 2007, Baiano e o então diretor de Internacional Nestor Cerveró teriam cobrado “comissão” de US$ 40 milhões – pelo menos US$ 5 milhões teriam sido entregues, segundo o Ministério Público, ao presidente da Câmara, deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ). O parlamentar nega.

A revista afirma que Baiano relatou que o acordo dos R$ 2 milhões foi fechado no comitê em Brasília e que Palocci teria orientado ele a Paulo Roberto Costa a procurarem seu assessor, o “dr. Charles”, para combinar como o repasse seria efetivado.

O criminalista José Roberto Batochio, que defende Palocci, rechaçou as suspeitas sobre o ex-ministro. “Em abril a Polícia Federal instaurou inquérito para investigar Palocci. Até hoje, apesar da eficiência altamente reconhecida da força-tarefa, apesar do empenho nessa direção, apesar do garimpo microscópico que se tem feito, um único grão que incrimine Antonio Palocci foi encontrado. Até hoje, absolutamente nada se apurou porque nada existe. Jamais Palocci teve qualquer contato com Fernando Baiano”, disse.

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