Delatar esquema do mensalão não reduziu sentença de Jefferson

Condenado a multa de R$ 720 mil e a sete anos de detenção, ex-deputado e ex-presidente do PTB esperava ter redução na pena por ter denunciado a operação

Clarissa Thomé, O Estado de S. Paulo

13 de novembro de 2013 | 22h22

RIO - Delator do mensalão em junho de 2005, o ex-deputado Roberto Jefferson, ex-presidente do PTB, teve seu recurso rejeitado pelo Supremo Tribunal Federal - que viu nele um "caráter meramente protelatório". Jefferson está condenado a 7 anos e 14 dias de prisão e multa de R$ 720 mil, por corrupção ativa e lavagem de dinheiro.

É uma sentença que ele esperava reduzir, com o argumento de que foi ele quem denunciou toda a operação e levou o Ministério Público a investigar as denúncias. Há seis mandatos como deputado federal, iniciados em 1983 e sempre pelo PTB, Jefferson na verdade já era figura conhecida na década de 1980, quando integrava o quadro de apresentadores do programa O Povo na TV, da antiga TVS - hoje SBT -, em que dividia o balcão com Wagner Montes, Sérgio Mallandro e Wilton Franco. Ele fazia, então o papel de "advogado dos pobres". O tom performático saiu da tevê para os palanques.

Na década seguinte, destacou-se na tropa de choque do então presidente Fernando Collor, que renunciou em meio a um processo de impeachment por acusações de corrupção. Também teve de enfrentar, ele próprio, uma CPI, a do Orçamento. Fiel ao estilo teatral, chegou a chorar em depoimento, ao lamentar que a família tivesse sido exposta. No relatório, ficou a recomendação de que o deputado passasse por investigação mais aprofundada.

Nos anos 2000, Jefferson passou por cirurgia de redução de estômago e enxugou seus 175 quilos para 90. Adotou uma rotina diária de exercícios e, como hobbies, o canto e as motocicletas Harley Davidson. Com a eleição de Luiz Inácio Lula da Silva, o PTB pleiteou cargos e ganhou um ministério, o do Turismo.

Em 2005, ele denunciou o sistema de pagamentos mensais a parlamentares em troca de apoio político e cunhou o termo mensalão. Reconheceu também ter recebido R$ 4 milhões do PT para o financiamento de campanhas. Teve o mandato cassado pouco depois.

Cirurgias. Às vésperas do início do julgamento do mensalão, em 2012, Jefferson descobriu que tinha um tumor maligno de 4 centímetros no pâncreas. Teve este órgão retirado e perdeu ainda o duodeno, parte do intestino delgado e do canal do fígado. Recuperando-se da doença, tem passado mais tempo na pequena cidade Comendador Levy Gasparian.

Jefferson não costuma assistir aos julgamentos do Supremo - e nesta quarta-feira, 13, não foi diferente. De acordo com sua assessoria, ele passou o dia "fora do Rio". No Twitter, a única menção ao julgamento dos recursos pelo STF foi ao responder à provocação de um internauta, que escreveu: "Vamos seguir os últimos tweets de @blogdojefferson, que descanse em paz na cadeia". Jefferson reagiu: "Quem disse que serão os últimos?"

No seu blog, o ex-deputado não fez nenhum comentário sobre a sessão de quarta-feira do STF. Nos cinco posts, comentou a aprovação da PEC do Orçamento impositivo, o afastamento do secretário de governo da Prefeitura de São Paulo, Antonio Donato, e a composição da chapa tucana para 2014.

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