Delação premiada é alvo de crítica em música de funkeira carioca

Na letra, MC Carol reúne críticas à brutalidade da polícia nas comunidades carentes e ao 'tratamento VIP' concedido aos investigados que fecham acordo de colaboração

Murilo Busolin, O Estado de S.Paulo

15 de julho de 2016 | 16h36

A música "Delação Premiada", primeiro single de trabalho do novo álbum da funkeira carioca MC Carol, reúne críticas à brutalidade da polícia nas comunidades carentes e ao "tratamento VIP" concedido aos investigados que fecham acordo de delação premiada. A música de trabalho, produzida por Leo Justi, está no álbum chamado "Bandida"

Saindo um pouco de sua vertente de "funk proibidão", a cantora entoa versos críticos à brutalidade da polícia nas comunidades carentes. "Na televisão a verdade não importa, é negro favelado então tava de pistola", canta MC Carol em um dos versos.

A funkeira ainda cita os casos do bailarino 'DG', de apenas 15 anos, que foi morto durante uma ação de policiais em uma comunidade do Rio de Janeiro, em 2015, e também do pedreiro Amarildo Dias de Souza, que foi conduzido da porta de sua casa, na Favela da Rocinha, em direção à sede da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) do bairro e nunca mais foi visto.

"Cadê o Amarildo? Ninguém vai esquecer. Vocês não solucionaram a morte do DG. Afastamento da polícia é o único resultado, não existe justiça se o assassino tá fardado", canta Carol.

Delação. Ao criticar a diferença no tratamento da polícia ao lidar com infratores de favelas e com os criminosos da Operação Lava Jato, MC Carol destaca a prática da delação premiada, a partir da qual investigados conseguem penas mais brandas ou aguardam a decisão da Justiça soltos graças aos acordos de colaboração com os investigadores.

"Bandido rico e poderoso tem cela separada, tratamento VIP e delação premiada". 

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