Valter Campanato|Agência Brasil
Valter Campanato|Agência Brasil

'Delação nos olhos dos outros é pimenta', afirma Cunha sobre acordo de Delcídio na Lava Jato

Prestes a se tornar o primeiro político réu por envolvimento no esquema de corrupção na Petrobrás, presidente da Câmara aproveitou para criticar o governo ao saber da notícia de delação de senador

Julia Lindner e Igor Gadelha, O Estado de S. Paulo

03 de março de 2016 | 14h18

Brasília - O presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), prestes a virar o primeiro político réu no Supremo por corrupção e lavagem de dinheiro na Lava Jato disse nesta quinta-feira, 3, que "delação nos olhos dos outros é pimenta, nos olhos do PT é refresco", em referência à notícia de que o ex-líder do governo no Senado, Delcídio do Amaral (PT-MS), teria feito acusações contra a presidente Dilma Rousseff e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em acordo de delação premiada.

"Acho graça da posição do PT. Eu gostaria muito de assistir ao discurso do PT depois dessa nova delação. Hoje, eles usam como argumento de defesa aquilo que ontem usaram como ataque contra mim. O PT só é coerente para se defender, já para atacar os outros, aquilo que eles usam para se defender não vale. Então é muito engraçado assistir a isso. Eu fico numa posição privilegiada (no plenário)", afirmou o presidente da Câmara.

A denúncia contra o peemedebista, que já tem seis votos de ministros do Supremo para abrir uma ação penal contra ele, é baseada em delações premiadas de lobistas que participaram do esquema de corrupção na Petrobrás e afirmaram que o presidente da Câmara recebeu US$ 5 milhões em propinas referentes a dois contratos de navios-sonda da Petrobrás. Perante o Supremo, a defesa de Cunha alegou que a denúncia contra o peemedebista se baseava apenas nas delações. 

Ao comentar a notícia sobre a delação de Delcídio, Cunha disse que identificou "fatos de natureza grave" no depoimento de Delcídio, mas ponderou dizendo que as informações ainda precisam ser confirmadas. Ele afirmou que não fará "juízo de valor" das informações antes de ler a reportagem completa da revista IstoÉ, que adiantou detalhes do acordo de delação premiada em edição antecipada nesta quinta-feira. Ontem, o presidente da Câmara se tornou réu no âmbito da operação Lava Jato.

Segundo publicou a revista IstoÉ, Delcídio teria acusado Dilma de atuar três vezes para interferir na Operação Lava Jato por meio do Judiciário. "É indiscutível e inegável a movimentação sistemática do ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo e da própria presidente Dilma Rousseff no sentido de promover a soltura de réus presos na operação", teria afirmado Delcídio na delação, segundo a revista.

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