Delação de Delcídio compromete legitimidade do governo em continuar, diz senador tucano

Tasso Jereissati (PSDB-CE) afirmou que fica "inevitável" a discussão sobre o afastamento da presidente Dilma Rousseff. Para ele, o País precisa de um governo que tenha firmeza para reverter a recessão da economia

Ricardo Brito, O Estado de S.Paulo

03 de março de 2016 | 13h51

Brasília - O senador e empresário Tasso Jereissati (PSDB-CE) afirmou há pouco que a delação do senador Delcídio Amaral (PT-MS) faz acusações gravíssimas, absolutamente indefensáveis e que comprometem a legitimidade do governo Dilma Rousseff em continuar no comando do País. “O governo perdeu todas as condições morais e legais para continuar governando, principalmente dentro da conjuntura de crise econômica que estamos vivendo”, afirmou o tucano.

 

Reportagem da IstoÉ diz que, no acordo de colaboração premiada, o petista afirmou, entre outras acusações, que Dilma tentou parar a Operação Lava Jato três vezes. A publicação afirma ainda que a presidente tinha conhecimento das irregularidades na compra da refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos.

 

Para Tasso, a delação do petista torna “inevitável” a discussão sobre o afastamento da presidente, porque o País precisa, mais do que nunca, de um governo que tenha firmeza para reverter a recessão da economia brasileira. Ele disse que a situação de Delcídio - alvo de um pedido de cassação de mandato por obstrução às investigações da Lava Jato - “piorou bastante”. “Hoje no Conselho de Ética, infelizmente, porque ninguém gosta de ver um colega nesta situação, é insustentável”, reconheceu.

 

Considerado moderado pelo governo e por parlamentares aliados, o senador tucano é um dos integrantes da oposição em que o Palácio do Planalto tem apostado este ano para reverter a crise econômica. Há duas semanas, em reunião da coordenação política com líderes da base, Dilma disse que iria procurar oposicionistas para encontrar saídas para a crise e citou nominalmente Tasso. Na terça-feira (1º), o tucano reuniu com o secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Dyogo Oliveira, para tratar sobre o projeto da Lei de Responsabilidade das Estatais. O presidente do DEM, senador Agripino Maia (RN), disse que, a se confirmar os termos da delação de Delcídio, o governo “acabou”. “O impeachment é inexorável, não tem por onde correr”, afirmou Agripino, em nota.

 

O vice-líder do PSDB no Senado, Paulo Bauer (SC), ironizou a situação do governo após as notícias da colaboração do petista. “A casa, ou melhor, o Palácio do Planalto caiu”, disse. Segundo ele, as declarações são “estarrecedoras” e esquadrinham de forma didática como foi a ação do governo e do círculo mais influente do PT na tentativa de “sabotar” a Lava Jato.

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