André Dusek|Estadão
André Dusek|Estadão

Para senador, delação de Cerveró mostra 'digitais' de Dilma em esquema da Petrobrás

Ronaldo Caiado diz que revelações acabam com 'suposição' de que a petista não sabia o que ocorria; segundo o delator, em 2013, presidente colocou 'à disposição' do senador Fernando Collor cargos de direção da BR Distribuidora, subsidiária da estatal

Ricardo Brito, O Estado de S.Paulo

12 de janeiro de 2016 | 17h59

BRASÍLIA - O líder do DEM no Senado, Ronaldo Caiado (GO), disse nesta terça-feira, 12, ao Broadcast Político, serviço de notícias em tempo real da Agência Estado, que declarações feitas pelo ex-diretor da Petrobrás, Nestor Cerveró, em sua delação premiada, mostram as "digitais" da presidente Dilma Rousseff no esquema de corrupção na estatal. Segundo o delator, em 2013, a presidente colocou "à disposição" do senador Fernando Collor (PTB-AL) cargos de direção da BR Distribuidora, subsidiária da Petrobrás também investigada pela Operação Lava Jato.

A afirmação de Cerveró, divulgada em primeira mão pelo Estado, foi feita em depoimento prestado por ele no dia 7 de dezembro de 2015 à Procuradoria-Geral da República.

Na mesma delação, conforme divulgaram hoje os jornais Folha de S. Paulo e Valor Econômico, Cerveró disse que Lula o nomeou como diretor da BR Distribuidora "em reconhecimento" pela "ajuda" ao PT para quitar um empréstimo de R$ 12 milhões junto ao banco Schahin. A área internacional da Petrobrás, sob a alçada de Cerveró em 2008, contratou a Schahin Engenharia por R$ 1,6 bilhão na operação do navio-sonda Vitória 10.000.

Para o líder do DEM, a delação do ex-diretor da Petrobrás acaba com a "suposição" de que Dilma não sabia o que ocorria na estatal e em suas subsidiárias. "Nós temos uma abundância não só de vestígios, mas de digitais que mostram claramente a forma de atuação", disse Caiado. "A delação reforça o conhecimento e ao mesmo tempo a participação e a anuência do ex-presidente Lula e da presidente Dilma em tudo o que ocorreu", afirmou.

Na avaliação do senador, as informações só reforçam a necessidade do afastamento de Dilma. Ele defende como melhor caminho para superar as crises política e econômica do País a realização de nova eleição presidencial. A convocação de um novo pleito está prevista na Constituição caso a chapa Dilma Rousseff e Michel Temer seja cassada pelo Tribunal Superior Eleitoral nos dois primeiros anos de mandato.

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