Dida Sampaio/Estadão - 16.04.2014
Dida Sampaio/Estadão - 16.04.2014

Delação de Cerveró deixa de fora Dilma e ex-presidente, diz jornal

Reportagem do ‘Valor’ mostra que, antes de fechar colaboração, ex-diretor havia citado petistas à Lava Jato

O Estado de S.Paulo

14 de janeiro de 2016 | 20h21

O ex-diretor da Petrobrás Nestor Cerveró mudou em sua delação premiada a versão sobre um suposto pagamento de US$ 4 milhões à campanha de reeleição do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em 2006. O montante, segundo publicou ontem o jornal Valor Econômico, teria vindo de obras da refinaria de Pasadena.

A informação se baseia em documento obtido pelo Valor no qual constam o resumo da delação que seria feita por Cerveró caso o acordo fosse fechado e parte do depoimento prestado posteriormente pelo ex-diretor.

A versão inicial cita que “foi acertado que a Odebrecht faria o adiantamento de US$ 4 milhões para a campanha do presidente Lula, o que foi feito”.

De acordo com o jornal, essa menção não aparece no depoimento. “Na reunião também se acertou que a contrapartida da UTC pela participação nas obras do Revamp (Renovação do Parque de Refino de Pasadena) seria o pagamento de propina; que se acertou que a UTC adiantaria uma propina de R$ 4 milhões, que seriam para a campanha de 2006, cuja destinação seria definida pelo senador Delcídio do Amaral”, diz o documento.

Segundo o Valor, menções à presidente Dilma Rousseff também sumiram na delação. No documento prévio, Cerveró a citava três vezes; no depoimento posterior, nenhuma.

Uma das menções originais era que “Dilma incentivou Nestor Cerveró para acelerar as tratativas sobre Pasadena. Sempre esteve a par de tudo que ocorreu na compra daquela refinaria, e realizou diversas reuniões com Nestor durante todo o trâmite”.

Ao Valor, o Institulo Lula disse que “sobre arrecadação de campanha eleitoral, o assunto é do tesoureiro responsável pela campanha ou do partido”.

O Palácio do Planalto afirmou que a compra de Pasadena foi autorizada com base em resumo executivo “tecnicamente falho” feito por Cerveró.

A UTC Engenharia disse ao jornal que “nunca foi contratada e não executou obras na refinaria de Pasadena, Texas (EUA)”.

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