André Dusek/Estadão
André Dusek/Estadão

Definição de ministérios para o PMDB deve ficar para próxima semana

Presidente da Câmara, Henrique Alves, afirma que conversa entre Dilma e Temer sobre composição da nova equipe ficou marcada para quando voltarem de viagem, no dia 12

Erich Decat , O Estado de S. Paulo

04 de dezembro de 2014 | 12h29

Brasília - Com a aprovação, na madrugada desta quinta-feira, do texto base do projeto que altera a Lei de Diretrizes Orçamentárias e flexibiliza a meta do superávit primário - ainda é preciso votar um dos destaques da medida provisória -, a expectativa de parte do integrantes da base aliada é que a presidente Dilma Rousseff dê continuidade às mudanças da equipe para o novo governo. A petista, no entanto, não deve avançar nas conversas nesta semana. Ao principal aliado, o PMDB, ela teria informado que só serão acertados os espaços no final da outra semana.

"A conversa entre a Dilma e o Michel Temer ficou marcada para quando eles voltarem de viagem, o que deve acontecer no dia 12. Até lá, zero de reforma. O assunto está morto", afirmou o presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN). Às 18h desta quinta-feira a presidente Dilma Rousseff viaja para Quito, onde participa da inauguração da sede da Unasul. Temer também teria na agenda uma viagem internacional no início da próxima semana.

Segundo Henrique Alves, o partido será o primeiro a ser convocado para definir a composição da nova equipe. Representante da bancada do PMDB na Câmara, ele é um dos cotados para assumir uma pasta no próximo governo após ser derrotado na disputa pelo governo do Rio Grande do Norte.

Entre as possibilidades levantadas por integrantes do partido está a de Henrique Alves comandar os Ministérios da Integração ou do Turismo. De parte do PMDB do Senado, a expectativa é que o atual líder do governo, Eduardo Braga (PMDB-AM), seja chamado para ocupar o ministério de Minas e Energia ou a Secretaria de Portos. Caso se confirme a ida de Braga para a equipe de Dilma, os peemedebistas do Senado passarão a defender o nome de Romero Jucá (PMDB-RR) para assumir o posto de líder do governo da Casa, cargo que ele ocupou no governo do ex-presidente Lula e no início do governo Dilma. Nesta última eleição presidencial, Jucá, no entanto, declarou voto ao senador Aécio Neves (PSDB).

Operação tartaruga. Segundo integrantes da base aliada ouvidos pelo Broadcast Político, serviço de notícias em tempo real da Agência Estado, a falta de uma sinalização por parte de Dilma de quando irá definir a dança das cadeiras na Esplanada vem causando descontentamentos entre os aliados. "Ela poderia acalmar a tropa dizendo para ficarmos tranquilos porque a decisão está a caminho. Mas não há sinal de nada. O pessoal está chateado com esse tipo de tratamento", afirmou um ex-ministro do governo Dilma.

Tal sentimento foi demonstrado com a falta de empenho em aprovar com celeridade o projeto de interesse do Palácio do Planto, que flexibilizou a meta do superávit primário. Apesar de a base aliada ter ampla maioria no Congresso, a votação se arrastou por mais de 18h e só deve ser concluída na próxima terça-feira, 9. O recado, segundo alguns líderes aliados, é de que, na nova gestão, Dilma precisará ainda mais da base, ansiosa por gestos e afagos, que na linguagem dos políticos representam ocupação de espaços estratégicos dentro da máquina estatal.

Outro efeito que a falta de uma definição de Dilma vem causando é a troca de recados entre os integrantes da base. "Como tirar o ministério de um partido maior para dar para um menor? Não faz sentido", ressaltou o presidente do PP, senador Ciro Nogueira (PI), ao comentar sobre a possibilidade de o PSD, do ex-prefeito Gilberto Kassab, assumir o Ministério de Cidades. Entre os nomes que o PP pretende apresentar a Dilma para permanecer no comando da pasta estão o do ex-ministro Aguinaldo Ribeiro e do vice-governador eleito da Bahia, João Leão.

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