Definição da Fazenda fica para depois do G20

Reforma ministerial deve ocorrer após reunião que ocorre entre os dias 15 e 16 deste mês em Brisbane, na Austrália

Vera Rosa e Tânia Monteiro, Estadão Conteúdo

05 de novembro de 2014 | 13h55

Atualizado às 23h24

Brasília - A presidente Dilma Rousseff disse nesta quarta-feira, 5, que só anunciará o novo ministro da Fazenda na segunda quinzena deste mês, quando voltar da reunião de Cúpula do G20, grupo que reúne as 20 maiores economias do mundo. O encontro será realizado na Austrália, entre os dias 15 e 16. Dilma pretendia chegar lá com essa pendência resolvida, para acalmar o mercado e aplacar incertezas dos investidores, mas está tendo dificuldades para definir o sucessor de Guido Mantega.


O ministro, o mais longevo titular da Fazenda da era republicana, faz parte da comitiva brasileira que viajará à cidade australiana. Sua participação na Cúpula é vista como uma forma honrosa de o Planalto se despedir do economista, já que a saída de Mantega do governo foi sugerida pela presidente Dilma ainda durante sua campanha na disputa presidencial, em setembro, no Ceará.


A montagem da nova equipe, o cenário adverso da economia e os percalços do governo no Congresso foram temas de uma conversa de Dilma com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, na noite de terça na Granja do Torto, em Brasília. “Ainda não escolhi o ministro”, desconversou ela onesta quarta, ao ser questionada por repórteres sobre o substituto de Mantega. “Só quando voltar”, emendou, numa referência à viagem para Brisbane, na Austrália.


A presidente afirmou que fará o anúncio dos ministros “por partes”, e não de uma única vez. No encontro com Lula, do qual também participaram o ministro-chefe da Casa Civil, Aloizio Mercadante, e o presidente do PT, Rui Falcão, Dilma mostrou preocupação com as fraturas na base aliada e prometeu chamar todos os líderes dos partidos que a apoiaram para conversar em breve.


Na conversa da Granja do Torto, Dilma e Lula tentaram demarcar os espaços de “dilmistas” e “lulistas” neste segundo mandato. É provável que o PT perca espaço na equipe ministerial, uma vez que a presidente precisa acomodar mais aliados. Dos 39 ministérios, o partido ocupa hoje 17 pastas.


O governo também está preocupado com as pressões do PMDB, que deve lançar em 2015 o deputado Eduardo Cunha (RJ), inimigo do Planalto, à presidência da Câmara. No diagnóstico dos petistas, o vice Michel Temer não consegue enquadrar as duas alas do partido. No entanto, a maior preocupação do Planalto reside na economia e no substituto de Mantega.


Na opinião de Lula, há três nomes que poderiam desempenhar esse papel: Henrique Meirelles, ex-presidente do Banco Central; Luiz Carlos Trabuco, presidente do Bradesco, e Nelson Barbosa, que foi secretário executivo da Fazenda até o ano passado. De acordo com integrantes do governo, Trabuco foi sondado para o cargo e não aceitou. Mercadante é atualmente um dos únicos nomes certos para continuar no mesmo cargo.


O ex-prefeito de São Paulo Gilberto Kassab (PSD) está cotado para o Ministério das Cidades, hoje comandado pelo PP de Paulo Maluf. Lula, no entanto, gostaria de ver em Cidades o petista José Di Filippi Júnior, hoje secretário municipal da Saúde em São Paulo.


O PSD manterá a Secretaria da Micro e Pequena Empresa, dirigida por Guilherme Afif Domingos. Henrique Meirelles também é filiado ao PSD, mas Dilma resiste em indicá-lo para a Fazenda.

 O governador da Bahia, Jaques Wagner (PT), pode assumir o Ministério da Indústria e Comércio Exterior. O presidente do Instituto Brasileiro de Museus, Ângelo Oswaldo, deve entrar no lugar de Marta Suplicy no Ministério da Cultura e o ministro do Desenvolvimento Agrário, Miguel Rossetto, deve comandar a Secretaria-Geral da Presidência. / COLABOROU RAFAEL MORAES MOURA

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