Deficiência de vitamina D é maior na pós-menopausa

Mulheres na pós-menopausa são mais vulneráveis a ter deficiência de vitamina D mesmo tomando sol. A revelação faz parte da primeira fase de um estudo que acaba de ser apresentado no 25.º Congresso Brasileiro de Endocrinologia e Metabologia, em Brasília. A vitamina D contribui para o fortalecimento dos ossos. A pesquisa avaliou 110 mulheres de 20 a 80 anos. Cada uma passou por exame de dosagem da quantidade de vitamina D no organismo. Ficou constatado que 25% das mulheres na pós-menopausa tinham deficiência dessa vitamina. "É o mesmo índice dos Estados Unidos", diz o pesquisador Francisco Bandeira Farias, professor de endocrinologia da Universidade de Pernambuco. "E trata-se de uma porcentagem alta." Há duas formas de abastecer o organismo com vitamina D: pela alimentação ou tomando sol. Só que os únicos alimentos que contêm vitamina D em quantidades adequadas - peixes gordurosos como o salmão e óleo de fígado de bacalhau - não fazem parte da dieta brasileira. Nesse caso, a vitamina D precisa ser produzida pelo organismo, a partir de banhos de sol. Ao ser exposta ao sol, a pele sintetiza uma substância que em seguida se transforma em vitamina D. O problema é que, depois da menopausa, a pele perde a capacidade de fazer isso. "Ao mesmo tempo, a pele da mulher na pós-menopausa está mais fina e sensível aos efeitos nocivos do sol", alerta Bandeira. Um desses efeitos é o câncer de pele. Para corrigir a deficiência, os especialistas sugerem que os alimentos sejam enriquecidos com vitamina D. "É assim nos Estados Unidos, com o leite, por exemplo", observa Bandeira. "Temos também de incluir a dosagem de vitamina D na lista de exames que a mulher na pós-menopausa deve fazer." A deficiência de vitamina D é uma epidemia silenciosa, segundo o endocrinologista João Lindolfo Borges, da comissão científica do congresso. Isso porque o problema não provoca sintomas, apesar de prejudicar o organismo. Com o tempo, a falta de vitamina D causa perda óssea - é a osteoporose. Estudos europeus mostram que mulheres da Escandinávia, região com baixa incidência solar, sofrem menos de deficiência de vitamina D do que as que vivem no sul da Espanha, onde o sol é mais forte. A explicação está na alimentação. Na Escandinávia, o leite é enriquecido com vitamina D. Além disso, os peixes gordurosos fazem parte do hábito alimentar dos escandinavos. Na Espanha, como no Brasil, os alimentos são pobres em vitamina D e as mulheres dependem apenas da exposição solar, que se torna insuficiente com o passar da idade.

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