Defesas de Genoino, Dirceu e Delúbio cobram correção de 'injustiças'

Na primeira parte da sessão do Supremo desta terça, advogados negaram que condenados se articularam em uma quadrilha

RICARDO BRITO, Agência Estado

20 de fevereiro de 2014 | 16h25

Brasília - As defesas do ex-ministro da Casa Civil José Dirceu, do ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares e do ex-presidente do partido José Genoino cobraram a correção de "injustiças" com a absolvição dos clientes do crime de formação de quadrilha no processo do mensalão. Coube ao advogado de Genoino, Luiz Fernando Pacheco, a defesa mais exaltada dos condenados. Ele declarou que, futuramente, o Supremo Tribunal Federal vai rever o equívoco cometido há dois anos e absolver Genoino de todo o processo.

"Não houve a intenção de formar uma sociedade de delinquentes. Ao contrário, houve desde 1980, com o início do fim da ditadura, a formação de um partido político e lá estavam Dirceu, Genoino, Delúbio, todos formando este partido que encampou o poder e o vem mantendo há doze anos. Sinal de que o povo concorda com as práticas que vêm sendo adotadas. Dizer que ali do outro lado da praça, no núcleo de poder, havia uma quadrilha é um escancarado absurdo e o povo brasileiro já refutou isso. Aliás, pesquisa publicada na terça já deu como certa reeleição da presidente Dilma já no primeiro turno", disse Pacheco.

O defensor de Genoino chamou o ex-presidente do PTB Roberto Jefferson de "mentiroso compulsivo" e disse que ele engendrou a "maior farsa" da política brasileira quando denunciou o escândalo do mensalão em 2005.

Assim como Pacheco, o advogado de Dirceu, José Luiz de Oliveira Lima, questionou a condenação do seu cliente pela Corte. Oliveira Lima fez questão de falar que o ex-ministro não chefiou o esquema de compra de votos do Congresso quando era chefe da Casa Civil durante o governo Lula. "Meu cliente não teve no crime o seu modus operandi. Meu cliente teve 40 anos de vida pública sem qualquer mancha. José Dirceu é inocente", afirmou.

O defensor de Delúbio Soares, Arnaldo Malheiros, foi o único advogado do trio que não criticou o tribunal por outras condenações - os três foram punidos também por corrupção ativa. Ele disse que o trio se associou para formar um partido e conquistar o poder. "Se no curso dessa atividade lícita, surgiu o que esta Corte decidiu (...) este crime não foi praticado por uma quadrilha", afirmou.

As defesas dos ex-dirigentes do Banco Rural, Kátia Rabello e José Roberto Salgado, também pediram a absolvição dos respectivos clientes. Após as cinco sustentações orais, o STF fez uma pausa para o intervalo.

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