Defesa vai alegar falta de provas e negar mensalão

Um dia após a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), as assessorias jurídicas dos principais réus começaram a traçar suas estratégias. Em geral, os advogados apoiarão sua defesa em teses como falta de provas, inadequação das acusações ou na idéia de que seus clientes não tiveram conduta criminosa.O advogado do ex-ministro José Dirceu, José Luís Oliveira Lima, promete apresentar documentos que demonstrem a inexistência de provas de formação de quadrilha e corrupção ativa. Ontem, ele se reuniu com Dirceu para acertar detalhes. "Utilizaremos documentos com decisões formais que favoreçam a nossa tese, de que não há provas contra o ministro José Dirceu", afirmou.A defesa do ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares, liderada pelo advogado Arnaldo Malheiros Filho, tentará derrubar a tese de que houve um esquema de compra de votos. A tendência, segundo ele, é de que seja comprovada apenas uma aliança entre partidos, com apoio financeiro a campanhas.Malheiros alega que os pagamentos do mensalão não interferiram na disposição dos partidos de votar contra ou a favor do governo no Congresso. "Não há prova da compra de votos. Não se trata de fragilidade de provas, é que elas não se aplicam à acusação em questão."O advogado do ex-secretário-geral do PT Silvio Pereira, Gustavo Badaró, tentará convencer o STF de que seu cliente não teve participação nas decisões que resultaram no mensalão. "Ele não participou de nenhuma tomada de decisão, muito menos decidiu sozinho a realização dessas alianças e o eventual pagamento de dinheiro. Nem teve responsabilidade por nenhuma forma de captação de dinheiro ilegítimo", disse.Encarregado da defesa do deputado José Genoino, o advogado Luiz Fernando Pacheco vai dizer que seu cliente exercia funções meramente políticas na presidência do PT. "Isso está bastante desenhado pois o próprio Delúbio assume essas responsabilidades e isenta Genoino de participação na vida financeira do partido."Luiz Francisco Barbosa, advogado do ex-deputado Roberto Jefferson, disse que vai seguir a linha adotada até agora. "A tese central é de que a conduta dele não foi criminosa." Mas admitiu que, depois das declarações de Jefferson, a defesa pode discutir se há relação entre o presidente Lula e o mensalão.O advogado da ex-assessora do deputado Paulo Rocha (PT-PA), Anita Leocádia, manterá o argumento de que sua cliente só cumpriu ordens e "não cometeu nenhum crime."

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