Defesa treina retirada urgente de brasileiros da fronteira

Ministério avalia que não há estabilidade na Bolívia e no Paraguai; Forças Armadas realizam simulação

Tânia Monteiro e Rui Nogueira,

16 de novembro de 2007 | 21h00

Apesar de o Planalto e o Itamaraty manterem o discurso de que todos os vizinhos fronteiriços são amigos e não há risco de conflitos à vista, o Ministério da Defesa avalia que a estabilidade político-social na Bolívia e Paraguai é precária e, pela quantidade de brasileiros que vivem nos dois países, o Brasil precisa estar preparado para a eventualidade de ter de fazer um resgate em massa dessa população. A teoria virou prática, pelo menos de treinamento, no mês passado.Veja também: De olho em Chávez, militares da Amazônia vão treinar no HaitiMilitares da Venezuela invadem a Guiana e destroem garimpo O Estado apurou na quinta-feira, no Rio de Janeiro, durante a 4ª Conferência do Forte de Copacabana/Segurança Internacional: um diálogo Europa-América do Sul, e nesta sexta-feira, em Brasília, junto ao Comando do Exército, que na Operação Pantanal, realizada entre 10 e 20 de outubro, no Mato Grosso do Sul, tropas do Exército, da Marinha e da Aeronáutica desenvolveram um exercício especial: como empregar, de maneira combinada, o maior número possível de meios (aviões, lanchas, caminhões etc) para retirar todos os brasileiros que vivem no Paraguai e Bolívia no período mais curto de tempo possível.A Operação Pantanal juntou as três Forças sob liderança do Comando Militar do Oeste. Os exercícios simularam claramente uma "situação de beligerância" na fronteira desses dois países vizinhos, mapeando até as grandes e pequenas fazendas que serviriam de apoio em caso de uma retirada emergencial de brasileiros. Durante os preparativos para a Operação Pantanal, o general Roberto Fantoni Saurin, comandante da 4ª Brigada de Cavalaria Mecanizada de Dourados, disse que um dos principais objetivos dos exercícios combinados era testar "o apoio logístico e de comunicações próprias para o emprego combinado das três Forças Armadas" em situações de emergência beligerante.Na terça-feira passada, ao participar do programa Expressão Nacional, na TV Câmara, o general de Exército Benedito de Barros Moreira disse que o Ministério da Defesa vem "colhendo na nossa área sul-americana pontos de tensão que podem se desenvolver e devem ser observados e acompanhados". O caso dos brasileiros que podem ter de ser retirados da Bolívia e do Paraguai é uma dessas situações que, na avaliação dos estrategistas brasileiros, demanda preparo prévio. Os brasileiros que vivem na Bolívia - alguns deles são grandes fazendeiros em regiões de fronteira - já foram ameaçados de expulsão pelo governo do presidente Evo Morales. O Exército participou da Operação Pantanal com pelo menos 200 veículos. A Força Aérea empregou aeronaves como os aviões C-95 Bandeirante, Hércules C-130 e C-105 Amazonas.

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