Defesa tem 63 militares no exterior, mas acha pouco

Ministério argumenta que a atual distribuição de adidos pelo mundo ?não contempla os anseios da política externa brasileira?

Luciana Nunes Leal e Sônia Filgueiras, O Estadao de S.Paulo

10 de janeiro de 2009 | 00h00

Com 63 adidos militares em 32 países, o Ministério da Defesa tem planos de expansão nesse setor. Em nota, a assessoria de comunicação social do ministério diz que a atual distribuição "não contempla os anseios da política externa brasileira". Apresenta quatro argumentos: "a projeção que assume o Brasil no concerto das nações"; a "posição-chave" na América do Sul; a aproximação com o continente africano e o pleito brasileiro por um lugar fixo no Conselho de Segurança das Nações Unidas. A assessoria de imprensa da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) também informa que o órgão pretende expandir o número de postos.Os adidos militares são representantes da Defesa ou especificamente de uma das Forças Armadas. Em 13 países, há três adidos militares brasileiros - da Aeronáutica, do Exército e da Marinha, dos quais um deles exerce também a função de adjunto da Defesa. Em cinco países, existem dois adidos e nos 15 restantes, um. A nota do ministério destaca como principais missões o "fomento de medida de cooperação militar" e o "fortalecimento das relações internacionais no âmbito da Defesa". O governo decidiu fechar o posto de adido militar no Iraque quando começaram os conflitos com os Estados Unidos. Até hoje não foi reaberto, deixando as Forças Armadas longe do acompanhamento da guerra e sem contar com um posto que tinha todos os componentes necessários de interesse estratégico.Quem chega ao cargo de adido militar integra, em geral, a elite das Forças Armadas. Foram adidos, por exemplo, os ex-presidentes militares Costa e Silva (Argentina), Emílio Garrastazu Médici (Estados Unidos) e Ernesto Geisel (Uruguai).ABINEm sua prestação de contas relativa a 2007, o governo informa que a Abin já conta com autorização para instalar representantes na Bolívia e no Paraguai, chegando a cinco adidos. A agência explica, por sua assessoria, que seus adidos têm a tarefa de manter contato sistemático com o serviço de inteligência do país estrangeiro, facilitando o intercâmbio de informações para a produção de conhecimentos em áreas como terrorismo e crime organizado, consideradas prioritárias. A escolha dos nomes é feita a partir de uma lista com cinco indicações, elaborada por um conselho interno da Abin e segue um regulamento interno que considera perfil, currículo e a proficiência no candidato no idioma do país de destino. A lista é encaminhada ao diretor-geral do órgão, a quem cabe a decisão final.?EFICIÊNCIA?Na Receita Federal, permanece vago desde a criação dos cargos de adido, em outubro de 2000, o posto em Montevidéu (Uruguai). Os outros três cargos (Argentina, Paraguai e Estados Unidos) estão ativos. A Receita informa, por intermédio de sua assessoria, que "a presença de funcionários em embaixada ou repartição consular representa maior eficiência nas ações governamentais brasileiras relativas à fiscalização tributária e à prevenção e repressão de ilícitos aduaneiros".A Receita argumenta que a criação dos postos não provocou aumento de custo com novos cargos ou estruturas: "Os servidores são designados para a função de adidos junto à embaixada ou repartição consular, com utilização de apoio administrativo já existente".

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