Defesa pede pela quarta vez ao STF libertação de Battisti

Ao mesmo tempo, comitiva de parlamentares italianos desembarca em Brasília para fazer lobby no Congresso pela extradição de extremista

Mariângela Gallucci e Eugênia Lopes, O Estadao de S.Paulo

17 de fevereiro de 2009 | 00h00

A defesa do extremista italiano Cesare Battisti pediu ontem pela quarta vez sua libertação ao Supremo Tribunal Federal (STF). Ex-integrante do movimento de extrema esquerda Proletários Armados pelo Comunismo (PAC), ele está preso em Brasília. Ao mesmo tempo um grupo de deputados italianos desembarcou na capital federal para fazer lobby por sua extradição. O ministro da Justiça, Tarso Genro, não quis receber os parlamentares italianos, que têm encontros marcados para amanhã com os presidentes do Senado, José Sarney (PMDB-AP), e da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP). Foi Tarso quem concedeu status de refugiado político a Battisti - o que gerou protestos na Itália. O governo italiano defende a extradição de Battisti - condenado à prisão perpétua em seu país como autor e coautor de quatro homicídios."Viemos pedir o reexame para a extradição de Cesare Battisti", afirmou ontem o deputado Domenico Scilipoti, do partido Italia di Valori, que chefia a missão de quatro parlamentares italianos. Também ontem, o advogado Luiz Eduardo Greenhalgh protocolou documento no Supremo alegando que seu cliente está sofrendo prejuízos por ter obtido o status de refugiado há um mês, mas continuar preso. Battisti aguarda julgamento de pedido de extradição feito pelo governo italiano. Ele foi preso em março de 2007 pela Polícia Federal no Rio e em seguida transferido para Brasília."Trata-se de questão urgente, relativa à liberdade de um refugiado e ao pleno exercício desse status", afirmou Greenhalgh. O advogado reclamou do comportamento do governo italiano, que recentemente se manifestou sobre o processo de extradição e protocolou um mandado de segurança no Supremo contestando a concessão de refúgio a Battisti.''FÓRMULA''Apesar da recusa de Tarso em receber os parlamentares italianos, Domenico Scilipoti afirmou que o objetivo principal da missão é "encontrar uma fórmula com tranquilidade e sem animosidade" para o imbróglio envolvendo Battisti. Os parlamentares italianos serão recebidos por técnicos do Ministério da Justiça. "Somos dois países irmãos", observou o deputado, que é presidente da Associação de Amizade Brasil-Itália. Scilipoti lembrou que ontem, 16 de fevereiro, fez precisamente 30 anos que o extremista teria matado duas pessoas na Itália. Battisti nega os crimes. O grupo de parlamentares também quer agendar um encontro com o ministro Cezar Peluso, do STF, que na semana passada indeferiu liminar em que o governo italiano pedia a revogação da decisão que concedeu refúgio político a Battisti.

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