Defesa no caso Galdino admite mudar tese

Os advogados de defesa dos jovens que mataram o índio pataxó Galdino Jesus dos Santos já admitem abandonar a tese de lesões corporais seguidas de morte pela a de homicídio simples, para evitar que os réus sejam condenados por homicídio doloso, triplamente qualificado. O motivo é a apresentação, pelo Ministério Público, de peças do processo que incriminam ainda mais os matadores. Além disso, os crimes de lesão ou morte sem motivos torpes poderiam tirar os acusados da prisão após a realização do júri, uma pretensão da defesa.O segundo dia de julgamento de Eron Chaves de Oliveira, Antônio Novély Vilanova, Tomás de Almeida e Max Rogério Alves, réus confessos da morte de Galdino, foi apenas de leitura de documentos que constam do processo, requeridos tanto pela defesa quanto pela acusação. As 23 testesmunhas, que começariam a ser ouvidas hoje, devem prestar depoimento amanhã. A acusação arrolou quatro pessoas e a defesa, 19, quase todas familiares ou amigos dos quatro rapazes.Eron, Max, Novely e Tomás atearam fogo a Galdino, que dormia em um ponto de ônibus, na quadra 703 sul, de Brasília, no dia 20 de abril de 1997. Eles, segundo a defesa, apenas atiraram algumas gotas de alcóol no índio, que teriam atingido um cobertor, o que é negado pela acusação. "Não há nenhum cobertor. As testemunhas e a perícia constataram isso", diz o promotor do caso, Maurício Miranda. "Só quero saber como a acusação vai provar que não existia o cobertor", sustenta um dos advogados de defesa, Heraldo Paupérrio.PenaTanto a acusação como defesa não acreditam que, mesmo sendo condenados por homicídio doloso, seja aplicada a pena máxima, de 30 anos, para os quatro jovens. "Eles têm atenuantes, pelo fato de serem primários, não serem processados e serem réus confessos", avalia o assistente da promotoria, o deputado federal Luiz Eduardo Greenhalgh (PT). "Podemos até adotar o meio termo, que seria a tese de homicídio simples, que diminuiria a pena", confirma o advogado Rui Livino, que atua na defesa.A defesa admite que, após a decretação da sentença, entrará com o pedido de liberdade provisória, mesmo que a acusação entre com recursos. Isso levaria pelo menos alguns meses, mas a própria juíza, Sandra de Santis, que preside o julgamento, poderá tomar a decisão. Entretanto, isso será pouco provável, conforme os advogados, em função das pressões. "Eles querem continuar presos até que tudo se resolva. O próprio presidente Fernando Henrique Cardoso foi mal informado por sua assessoria ao pedir prisão para eles. Eles já estão presos", disse Paupérrio. PromotorQuando o promotor Maurício Miranda pediu a leitura de várias peças do processo sobre a morte de Galdino Jesus dos Santos, acabou surpreendendo os três advogados de defesa dos quatro réus. Ninguém esperava que, ao fazer isso, também entregaria aos jurados todos os documentos que seriam relatados, incluindo fotos do cadáver do índio. Com isso, Miranda fez a defesa mudar rapidamente suas táticas.Apesar de ter apenas 36 anos, o promotor do caso pataxó está na função há pelo menos 14 anos, experiência marcada por vitórias. Ele atuou na condenação dos matadores do jornalista Mário Eugênio, em 1994, e dos assassinos do menor Marco Velasco, no ano passado.

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