‘Defesa é de cunho técnico-profissional’, diz Oliveira Neto

Empresário nega haver motivação política na contratação de Erenice e afirma não ter mais vínculo com seu escritório

Fábio Fabrini e Andreza Matais , O Estado de S. Paulo

09 Dezembro 2013 | 22h50

Brasília - Procurada pelo Estado, a ex-ministra Erenice Guerra não quis dar detalhes sobre sua atuação no Tribunal de Contas da União. Questionada sobre clientes, após reunião com o ministro José Múcio em 25 de novembro, ela foi parcimoniosa. "Lamento, mas não vamos avançar nessa questão", disse, acrescentando que a visita era apenas uma cortesia: "Vim só entregar um cartão de Natal".

A mensagem foi deixada na mesa do ministro, ex-colega de Esplanada. No início da semana passada, Erenice foi vista novamente no gabinete de Múcio, que não divulga sua agenda no site do tribunal. Para manter a discrição sobre suas atividades, a ex-ministra conta ainda com a política da corte de não registrar em seu site os nomes dos advogados que atuam nos processos.

Nos últimos meses, segundo fontes do TCU, Erenice também percorreu gabinetes levantando informações sobre processos de uma estatal paulista.

Procurada mais uma vez na sexta-feira, por telefone, ela reiterou: "Querido, tenho muito carinho por você, mas eu já disse que eu não falo com a imprensa. Não é nada com você, mas é uma política minha". A ex-ministra não respondeu a questionamentos enviados por e-mail.

Em nota, Benedito Rodrigues de Oliveira Neto, o Bené, negou irregularidades. "Por não haver nenhum superfaturamento nos serviços entregues ou mesmo trabalho que não fora prestado por demandas contratuais legais, a Due tem apresentado alegações de defesas perante os órgãos competentes, não havendo trânsito em julgado de nenhum processo."

Bené negou motivação política para contratar Erenice e informou não ter mais vínculo com o escritório dela. "A Due adota defesa de cunho técnico-profissional, não existindo, atualmente, qualquer relação profissional com o escritório."

Ele sustenta que a Due não mantém contratos com o poder público "há mais de dois anos". Mas a Gráfica Brasil recebeu R$ 38 milhões da União neste período. Disse, ainda, que não atuou em campanha política, "tanto que as investigações com esse objeto foram arquivadas".

O gabinete de José Múcio não respondeu à reportagem. O ex-ministro da Pesca Altemir Gregolin informou que as decisões tomadas pela pasta tiveram parecer jurídico favorável e os preços praticados foram de atas do Ministério das Cidades. "Tais preços estavam de acordo com os praticados no mercado", disse.

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