Defesa dos acusados do caso Ceci Cunha volta a citar ex-governador do AL

O advogado Welton Roberto, que defende o ex-deputado Talvane Albuquerque, acusado de ser o mandante do crime, questionou a ausência do nome de Manoel de Barros na investigação

Tiago Décimo, enviado especial de O Estado de S.Paulo

18 de janeiro de 2012 | 18h11

MACEIÓ - A defesa dos acusados de participar do assassinato da deputada alagoana Ceci Cunha e de três familiares, no crime que ficou conhecido como Chacina da Gruta, rebateu a afirmação da acusação de que o processo "grita o nome de (ex-deputado) Talvane Albuquerque" dizendo que "o processo sussurra vários nomes".

 

Usando todas as três horas a que tinham direito - e mais 20 minutos, obtidos por causa de interrupções feitas pela acusação durante a argumentação -, os advogados de defesa dos cinco acusados do crime tentaram convencer os jurados que ainda há dúvidas sobre a autoria e a motivação da chacina.

 

"O processo sussurra vários nomes, entre eles o do ex-governador Manoel de Barros, que foi citado por uma testemunha (já morta) que depôs em juízo", alegou o advogado de Talvane, acusado de ser o mandante do crime, Welton Roberto. "A pergunta que tem de ser feita é: por que nunca se falou do ex-governador Manoel de Barros ou de outros parlamentares na investigação?"

 

A tese da defesa, baseada em depoimentos prestados por testemunhas nas primeiras fases de investigação e por reportagens da época do crime, é que houve direcionamento da acusação, por interesses políticos. "Houve uma armação para incriminar o deputado", alega Roberto.

 

De acordo com ele, todas as provas apresentadas pela acusação podem ser contestadas, das ligações telefônicas supostamente envolvendo os acusados, ao reconhecimento, feito pela irmã de Ceci, Claudinete Santos Maranhão, sobrevivente da chacina - caracterizado pela defesa como "engano". "O processo está recheado de mentiras e dúvidas - e, na dúvida, os réus são absolvidos."

 

Para o advogado Júlio Gomes, o julgamento tem clima de "vingança". "O que se está vendo aqui é vingança, não é justiça", afirmou. "Uma condenação aqui é prisão perpétua. Ponderem e analisem todas as informações", pediu aos jurados.

 

Outro advogado dos réus, Roberto Heck, reforçou o tema. "Quando cheguei aqui (de São Paulo), chamou minha atenção a quantidade de faixas espalhadas pela cidade com mensagens pedindo justiça", contou. "O que precisa ficar claro é que a defesa também quer justiça - e justiça não é a condenação de inocentes."

 

Após as alegações da defesa, a sessão foi interrompida por 30 minutos e voltou para a réplica da acusação. Os representantes das vítimas terão duas horas para rebater as alegações da defesa dos acusados e, depois disso, os advogados dos réus terão mais duas horas para tentar convencer os jurados.

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