Defesa do banco aponta ''fragilidade'' da acusação

Advogado diz que Opportunity sofre uma devassa desde 2004 e vê ?arbitrariedades?

Fausto Macedo, O Estadao de S.Paulo

09 de abril de 2009 | 00h00

O Opportunity criticou enfaticamente a ação da Polícia Federal. Seus dirigentes se declararam "atônitos" com a blitz. Alegam que o banco sofre uma devassa desde 2004 e que "nenhuma instituição pode resistir a esse procedimento sem fim" ."A busca e apreensão deferida pela 6ª Vara Federal Criminal de São Paulo na sede do Opportunity, no Rio, está impregnada de arbitrariedades", afirma o advogado Andrei Zenkner Schmidt, que coordena a defesa do banqueiro Daniel Dantas. Ele disse estranhar que a operação policial tenha sido executada "no dia em que se inicia o feriado de Páscoa na Justiça Federal, com o evidente objetivo de dificultar a defesa".Schmidt também considera suspeito o fato de a busca ter ocorrido "no mesmo dia em que o delegado federal Protógenes Queiroz presta depoimento junto à CPI das Escutas Telefônicas Clandestinas". Protógenes, criador da Satiagraha, depôs ontem. O juiz Fausto De Sanctis disse que se trata apenas de uma coincidência. Ele ordenou a blitz no Opportunity na última terça-feira. Segundo Schmidt, "os documentos que estão sendo buscados já haviam sido solicitados pela Polícia Federal".O advogado esclareceu que, "na ocasião, a defesa recusou-se a entregá-los porque já estavam à disposição da Polícia Federal, desde a apreensão ocorrida em julho do ano passado"."Em nenhum momento a Polícia Federal justificou a solicitação de outros documentos que não os que já estavam em seu poder", asseverou Schmidt.Para o advogado, a razão para a PF buscar, pela segunda vez, documentos que já teria em seu poder é evidente: "Sabedora de que a Operação Satiagraha é nula em sua origem, a PF tenta novamente acessar documentos para conferir nova aparência a uma prova antiga, já viciada".Schmidt avalia que "a busca de provas de empréstimos entre empresas coligadas revela a fragilidade da própria acusação, que investiga esse crime há mais de três anos".Ele observa que a prisão de Dantas, em julho, "também baseou-se neste delito (empréstimos vedados) e, agora, realiza-se a busca para tentar provar o mesmo delito". O advogado criticou a inspeção nas salas do Jurídico do grupo. "O Estatuto da OAB, na verdade, não traz essa permissão. Estamos diante, portanto, da lamentável repetição dos mesmos episódios tristemente narrados na mídia nacional, ocorridos semana passada, quando departamentos jurídicos de empresas são devassados sem justificativa legal".Schmidt ressaltou que a defesa "não medirá esforços em demonstrar não apenas mais essa arbitrariedade, senão também a inocência" dos dirigentes do grupo. "O advogado está no exercício da função dele", anotou o procurador da República Rodrigo de Grandis, acusador da Satiagraha.

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