Fabio Motta/Estadão
Fabio Motta/Estadão

Defesa diz que Youssef não conhece Anastasia nem Eduardo Cunha

Advogado de doleiro contesta a informação segundo a qual o deputado do PMDB e o senador tucano se beneficiaram do esquema

Erich Decat, O Estado de S. Paulo

12 de janeiro de 2015 | 17h38

Atualizado às 22h33

Brasília - A defesa do doleiro Alberto Youssef, preso na Operação Lava Jato, contesta a informação de que ele teria mandado o policial federal Jayme Alves de Oliveira Filho, o Careca, entregar dinheiro ao ex-governador de Minas Antonio Anastasia (PSDB) e ao deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), como o agente afirmou em depoimento aos investigadores da Operação Lava Jato. Os advogados pretendem enviar na quarta-feira, 14, uma petição judicial nesse sentido.

Os defensores do doleiro veem “cunho político” nas declarações de Careca, dadas em novembro. Tanto Anastasia quanto Cunha rechaçaram ter recebido dinheiro do esquema de Youssef - o mineiro afirmou que estava disposto a fazer uma acareação com o policial.

Senador eleito, Anastasia é considerado braço direito do presidente nacional do PSDB, senador Aécio Neves (MG). Cunha, embora faça parte da base aliada do governo, encontra resistência do Palácio do Planalto na disputa pela presidência da Câmara.

“Sentimos que há interesse em desconstruir as colaborações no processo, em desacreditar. Não podemos deixar que haja esse tipo de ventilação, sob pena de prejudicar as colaborações. Não podemos permitir que interesses políticos ou de terceiro minem a credibilidade do meu cliente”, afirmou o advogado de Youssef, Antônio Basto Figueiredo, que esteve nesta segunda com o doleiro e deve encontrá-lo de novo na terça. “Ele não conhece o Eduardo Cunha, nunca teve pedido do Eduardo Cunha, não sabe nada a respeito de entregar dinheiro para o Eduardo Cunha, assim como para o Anastasia.”

Porém, em sua delação premiada no âmbito da Lava Jato, Youssef citou o deputado do PMDB como um dos beneficiários do esquema. O doleiro está preso na superintendência da Polícia Federal em Curitiba desde março do ano passado.


R$ 1 milhão. Embora negue os pagamentos aos dois políticos citados por Careca, Figueiredo admite que o doleiro mandou o policial federal entregar R$ 1 milhão em Minas, Estado governado até o ano passado por Anastasia. O advogado não soube informar o destinatário nem quando a remessa foi feita.

Em depoimento à PF, Careca relata que essa quantia foi repassada em 2010 ao tucano, então candidato à reeleição. Segundo o agente, ele só soube que se tratava de Anastasia após a disputa eleitoral. O tucano nega.

“Meu cliente (Youssef) deu dinheiro a ele (Careca) para entregar em Minas Gerais. Mas em momento algum meu cliente soube ou tinha relacionamento com o Anastasia. Agora, se o Jayme Careca tem alguma coisa a informar, de que o destino do dinheiro foi o Anastasia, cabe a ele provar isso”, disse Figueiredo.

Tabela apreendida pela PF em um escritório de Youssef indica que Careca fez ao menos 31 entregas de dinheiro vivo entre 2011 e 2012, num total de R$ 16,9 milhões.

Advogado de Anastasia, Maurício Campos Júnior pediu audiência com o presidente do Supremo Tribunal Federal, Ricardo Lewandowski. Ele quer ter acesso ao teor das declarações de Careca. Campos Júnior afirmou que, a pedido de Anastasia, pretende adotar “providências que promovam o esclarecimento da absurda declaração do policial o mais rápido possível”. Para isso, afirma que precisa ter “acesso formal ao depoimento” e aos autos do processo.

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O advogado lembrou que a diplomação de Anastasia como senador, em dezembro, “fixa foro especial” para o tucano e, apesar de a Lava Jato tramitar na Justiça Federal no Paraná, apenas o STF tem competência para autorizar investigações contra parlamentares. / COLABORARAM MARCELO PORTELA e FAUSTO MACEDO

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