Defesa diz que ré do mensalão era 'batedeira de cheque'

O advogado Paulo Sérgio Abreu e Silva afirmou nesta terça que sua cliente, a ex-gerente financeira da agência de publicidade SMP&B Geiza Dias, era uma "funcionária mequetrefe". Segundo a Procuradoria-Geral da República, a agência, que tinha o publicitário Marcos Valério entre os sócios, foi usada pelo esquema de compra de apoio parlamentar durante o início do governo Luiz Inácio Lula da Silva.

RICARDO BRITO, Agência Estado

07 de agosto de 2012 | 19h06

Para o defensor, que abusou das ironias durante sua exposição no Supremo Tribunal Federal (STF), se sua cliente não cumprisse a "missão" de repassar dinheiro aos políticos, a mando de Valério, ela seria demitida. "Geiza era uma funcionária mequetrefe, de terceiro ou quarto escalão", afirmou.

A ex-gerente da agência de publicidade é ré por formação de quadrilha, lavagem de dinheiro, corrupção ativa e evasão de divisas. Segundo Abreu e Silva, ela era uma "batedeira de cheque", preenchendo de 100 a 200 cheques por dia para os sócios da empresa assinarem.

O defensor citou vários exemplos que apontariam a tese de que Geiza era funcionária subalterna, inclusive, subordinada à ex-diretora financeira da agência Simone Vasconcelos. Abreu e Silva disse que, se o Ministério Público em vez de denunciar Geiza e Simone por envolvimento no escândalo, as tivesse listado como testemunhas, ele teria provado "tudo" da acusação. "O então procurador não sabe redigir uma denúncia", criticou, referindo-se a Antonio Fernando de Souza, que ofereceu denúncia no caso em março de 2006.

Ao pedir a absolvição de sua cliente, o advogado disse que a "moça" foi escorraçada pela família, mudou-se de Belo Horizonte para Goiânia, "porque a mancha era muito grande". "O procurador tem que sustentar esse monstrengo jurídico", criticou.

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