Defesa: Delúbio operou caixa dois, mas não fez corrupção

Arnaldo Malheiros reconheceu ato ilícito, mas disse que ex-tesoureiro não corrompeu ninguém

Eduardo Bresciani, de O Estado de S. Paulo

06 de agosto de 2012 | 16h51

O advogado Arnaldo Malheiros Filho afirmou que seu cliente, o ex-tesoureiro do PT, Delúbio Soares, operou um caixa dois de campanha do partido, mas não se envolveu em crime de corrupção. A admissão do crime eleitoral é porque este já prescreveu enquanto o da acusação da Procuradoria-Geral da República no processo do mensalão, de corrupção ativa, ainda é passível de condenação.

"Ele operou caixa dois de campanha? Operou. É ilícito? É. Delúbio não nega. Mas ele não corrompeu ninguém", disse Malheiros.

O defensor justificou com o crime de caixa dois o motivo que levou os envolvidos a fazer transações basicamente em dinheiro vivo. "O procurador disse que uma pergunta que nunca foi respondida é porque tudo era em cash? As alegações respondem: porque era ilícito. O PT não podia fazer transferência de um dinheiro que não tinha entrado. As despesas pagas eram sem nota. Quem tem vivencia de eleições sabe que o que circula é a moeda corrente".

Malheiros procurou desvincular o repasse de recurso às votações no Congresso. Entregou aos ministros gráficos mostrando que o apoio de PL, PTB e PMDB na Câmara caiu na mesma época em que os repasses aumentaram. Disse que apenas no PP houve estabilidade, mas o apoio não passava de 80% da bancada. Afirmou que se a acusação fosse real o PT seria um "traído feliz". "Não teria sido compra muito útil ou inteligente".

O advogado chegou a citar a Bíblia ao falar do julgamento público de Jesus Cristo e de Barrabás, quando optou-se pela soltura do criminoso e punição a Cristo. Reafirmou várias vezes em pouco mais de meia hora de exposição não haver provas para punir Delúbio. Citou indiretamente a entrevista do ministro Marco Aurélio Mello ao Estado na qual ele diz não dar para se exigir uma "prova cabal" para condenar os culpados. "É o que temos nos autos. Sei que não se pode exigir escritura ou confissão, mas temos que trabalhar com os autos e a realidade é que não dá para condenar", afirmou Malheiros.

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