Defesa de Verônica Serra pede que seja apurado uso político de dados

Segundo o advogado, blogs ‘diretamente ligados à campanha de Dilma’ utilizaram as informações fiscais

Bruno Tavares e Fausto Macedo, de O Estado de S.Paulo

21 de outubro de 2010 | 20h48

SÃO PAULO - O criminalista Sérgio Rosenthal, que representa Verônica Serra e Alexandre Bourgeois, filha e genro do presidenciável do PSDB, José Serra, requereu ontem à Polícia Federal ampla investigação sobre o uso político das informações obtidas pelo jornalista Amaury Ribeiro Jr. O advogado verificou que blogs "diretamente ligados à campanha de Dilma Rousseff" utilizaram dados fiscais sigilosos de seus clientes.

 

"Quero saber se foi o Rui Falcão quem roubou o dossiê ou se foi o jornalista quem vendeu para o PT", declarou Rosenthal. Deputado estadual, Falcão é um dos coordenadores de comunicação da campanha de Dilma.

 

O advogado do casal está convencido de que é "uma balela" a versão da cúpula da campanha de Dilma que atribui a montagem do dossiê a um suposto "fogo amigo" dentro do PSDB. "Não tem nada a ver", afirma. Rosenthal destaca que, em seu relato, Amaury informou ter tomado ciência, em dezembro de 2007, de que um "grupo clandestino de inteligência" espionava o então governador de Minas, Aécio Neves (PSDB).

 

Na ocasião, o jornalista trabalhava no Estado de Minas. "É intrigante que só dois anos depois o jornalista encomendou as declarações de renda de Verônica e Alexandre", observou o advogado - o furo do sigilo ocorreu em entre 30 de setembro e 8 de outubro de 2009.

 

À PF, Amaury disse "ter certeza" de que as informações de políticos tucanos foram extraídas de seu notebook sem sua autorização. Segundo ele, "apenas Falcão tinha as chaves do apartamento" em que residia - um flat em Brasília de propriedade do responsável pela administração dos gastos da casa do Lago Sul onde funcionava o "núcleo de inteligência" da campanha petista.

 

Rosenthal não quer interferir na investigação da PF. Mas espera que ela não se limite à conduta do jornalista. "Tem que ouvir Rui Falcão sobre as acusações graves e os responsáveis pelos blogs da campanha do PT para saber de que forma eles tiveram acesso ou receberam esse dossiê", sugere o criminalista. "Tem que saber se foi Rui Falcão quem entregou o dossiê aos blogs."

 

Para Rosenthal, a PF deve também identificar a origem do dinheiro que Amaury usou para comprar documentação ilícita. O despachante Dirceu Garcia admitiu ter recebido R$ 12 mil do jornalista. A PF identificou o elo entre Amaury e o despachante por meio de uma amante de Ademir Estevam Cabral, um dos intermediários da operação ilegal. O cruzamento de ligações telefônicas efetuadas por Amaury e Garcia também foi decisivo.

 

O criminalista Márcio Firpi, que defende Amaury, declarou que "é uma inverdade" que o jornalista tenha pago R$ 12 mil ao despachante. "Isso vai ser provado cabalmente. Meu cliente jamais contratou os serviços dessa pessoa e aceita fazer acareação. Amaury procurou acesso a documentos públicos, não sigilosos, Ele fez trabalho investigativo, não cometeu delito."

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