Defesa de médico deve pedir habeas-corpus

O médico Denísio Marcelo Caron, acusado de causar a mortede cinco pacientes em conseqüência de cirurgias de lipoaspiração,passou esta sexta-feira deprimido e chorando, na cela especial da 3.ªDelegacia de Polícia onde está preso desde anteontem. A informação é dodelegado da 21.ª DP, Antônio Coelho, que preside o inquérito contraCaron pela morte da estudante Graziela Murta de Oliveria, a última vítima domédico.Coelho só está esperando o laudo do Instituto Médico Legal (IML) paraencerrar as investigações e mandar o processo para a Justiça. Odelegado já indiciou Caron por homicídio doloso e solicitou aos peritosuma inspeção no Hospital Santa Marta, onde Graziela foi operada, parasaber se as bactérias identificadas no corpo da estudante tambémexistem no centro cirúrgico. ?A defesa certamente alegará infecçãohospitalar?, antecipou-se o delegado. Graziela morreu de infecçãogeneralizada, crise renal, derrame e choque por queda de pressão.O advogado Adolfo da Costa entrou, no final da tarde, compedido de habeas corpus para relaxar a prisão de Caron, alegando nãohaver isco de fuga de seu cliente. Dias atrás, ele entregou seupassaporte à Justiça. Sua carteira de médico foi cassadapreventivamente, o que evitaria qualquer retorno aos centroscirúrgicos. O desmbargador da 1.ª Turma Criminal Natanael Caetanosomente analisará o pedido na segunda-feira. Caron está sozinho na cela da 3.ª DP, onde estão presos ex-policiais epessoas com nível superior. O presidente do Conselho Regional deMedicina de Goiás, Erso Magalhães, garante que Caron é médico. Elecontou que, em março do ano passado com a morte de uma paciente emGoiás, o CRM-GO entrou em contato com a Universidade de Vassouras, deonde Caron tem diploma do curso de Medicina. ?A universidade devolveucomunicado confirmando o diploma?, disse Magalhães.Mas o presidente do CRM goiano reconhece que Caron não tem residênciamédica em cirurgia plástica. Para um médico divulgar que é umespecialista em determinada área, ele precisa fazer residência ou entãopassar por testes da sociedade que congrega os profissionais daquelaespecialidade, informa Magalhães. Caron fez apenas estágio e chegou aser aspirante da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica - seçãoGoiás - mas acabou não fazendo as provas. Caron responde a seis processos no CRM-GO e ainda é alvo de 35denúncias de imperícia e mutilações.

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