Defesa de Marcos Valério espera rejeição de denúncia

Enquanto o empresário Marcos Valério Fernandes de Souza evita declarações sobre a análise da denúncia da Procuradoria Geral da República contra 40 pessoas acusadas de envolvimento com o mensalão, seu advogado, Marcelo Leonardo, afirma que espera a rejeição parcial ou total em virtude dos "defeitos técnicos" da acusação formal. Leonardo repetiu hoje argumentos apresentados na defesa de seu cliente, como o que chamou de "inépcia da denúncia por falta de descrição da conduta individualizada de cada um dos denunciados".O advogado criminalista também acredita na possibilidade de rejeição total da acusação afirmando que a peça, "em grande parte, está baseada em provas obtidas de forma ilícita". "E pode haver parcial pelos defeitos que ela contém para cada uma das seis acusações fundamentais", disse. Leonardo orientou Valério a evitar a imprensa nos dias que antecedem o julgamento pelo Supremo Tribunal Federal (STF) do recebimento ou não da denúncia apresentada pelo procurador-geral da República, Antônio Fernando de Souza.Apontado como operador do suposto esquema de pagamento de propina a parlamentares em troca de apoio ao governo durante o primeiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o ex-sócio das agências DNA Propaganda e SMPB Comunicação foi denunciado como cabeça do denominado "núcleo publicitário" da "quadrilha". O advogado Rogério Tolentino, sócio de Valério em um escritório na zona sul da capital mineira e denunciado pela Procuradoria, também preferiu não falar sobre o assunto. Outro acusado de fazer parte do "núcleo publicitário", o ex-sócio da SMPB, Ramon Hollerbach Cardoso, está confiante. Conforme seu advogado, Hermes Guerreiro, a denúncia "não descreve uma única conduta" criminosa de seu cliente. Segundo ele, Cardoso foi acusado a reboque das práticas conduzidas por Valério. "O crime do Ramon seria ser sócio da SMPB. Ele nunca negou, era vice-presidente da agência. E isso não é crime."

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