Defesa de Maluf estuda recurso contra fim da prescrição

Os advogados de Paulo Maluf (PPB) começaram a estudar hoje os recursos que podem ser utilizados para contestar a decisão da juíza Cynthia Thomé, da 6ª Vara da Fazenda Pública, que suspendeu ontem a prescrição de processo por atos de improbidade administrativa e enriquecimento ilícito movido contra o ex-prefeito pelo Ministério Público Estadual (MPE)."Ainda não tivemos sequer acesso aos autos do processo e também não estamos certos de que tentaremos algum recurso", afirmou o advogado Ricardo Tosto. "Não temos pressa, quem parece estar com muita pressa, neste caso, é a juíza." A ironia refere-se à rapidez da decisão da juíza, que interrompeu a prescrição, aceitando medida cautelar proposta pelo Ministério Público no dia anterior.O autor da medida cautelar, promotor Silvio Antônio Marques, comemorou a decisão. "É essencial para o prosseguimento das investigações", disse ele. Marques fundamentou o pedido na morosidade das gestões em curso para conseguir documentos oficiais da Suíça e da Ilha de Jersey, paraíso fiscal no Canal da Mancha, que confirmariam supostas movimentações bancárias de Maluf e de seus familiares naqueles países.Marques argumenta que o Ministério Público já têm indícios suficientes sobre as movimentações bancárias de Maluf e familiares nos paraísos fiscais, que girariam entre US$ 200 milhões e US$ 300 milhões, mas alega que os documentos forneceriam provas definitivas para denunciar o ex-prefeito.Se não fosse interrompido, o processo que investiga enriquecimento ilícito e improbidade prescreveria em 31 de dezembro, cinco anos após o fim do mandato de Maluf na Prefeitura (1993-1996). Com a decisão da juíza, o prazo de prescrição fica adiado por mais cinco anos, a partir de 31 de dezembro.

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