Defesa de Lula diz que Palocci 'muda depoimento em busca de delação'

Advogado do ex-presidente comparou ex-ministro petista com Delcídio do Amaral e Léo Pinheiro, que tiveram delações revistas; em nota, PT diz que cerco a Lula se dá em momneto que ele lidera pesquisas para 2018

Marianna Holanda, O Estado de S.Paulo

06 Setembro 2017 | 22h01

A defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, nesta quarta-feira, 6, que Antonio Palocci "muda depoimento em busca de delação". O ex-ministro de Dilma e Lula prestou depoimento nesta tarde ao juiz federal da Operação Lava Jato, Sérgio Moro, em Curitiba. 

"O depoimento de Palocci é contraditório com outros depoimentos de testemunhas, réus, delatores da Odebrecht e com as provas apresentadas. Preso e sob pressão, Palocci negocia com o MP acordo de delação que exige que se justifiquem acusações falsas e sem provas contra Lula", afirma Cristiano Zanin Martins, por meio de nota. Preso desde setembro de 2016, o ex-ministro tenta fechar seu acordo com o MPF.

O advogado comparou Palocci com o empreiteiro Léo Pinheiro e o ex-senador Delcídio do Amaral (sem partido-MS), dizendo que eles tentam validar "sem provas" acusações do Ministério Público, para ter uma redução de pena. Ele lembrou ainda que o MP pediu revisão dos acordos dos dois.

A nota ainda afirma que o Palocci usou "frases e expressões de efeito", como o "pacto de sangue" - supostamente feito entre a Odebrecht e Lula, envolvendo propina.

A defesa da ex-presidente Dilma, também implicada nos depoimentos de Palocci, não quis se manifestar.

PT. O Partido dos Trabalhadores "rechaçou", por meio de nota, após as declarações do ex-ministro. O partido afirmou que há uma "perseguição política movida por setores da Justiça contra o PT". Assim como a defesa de Lula, o texto lembra que o ex-ministro petista mudou de discurso e o compara com Delcídio e Léo Pinheiro.

"Mais uma vez, chama a atenção que essas acusações sejam feitas às vésperas de um novo depoimento de Lula ao juízo da 13ª Vara Federal de Curitiba. O PT se solidariza com o ex-presidente Lula, que nos últimos anos teve sua vida devassada sem que houvesse sido encontrado qualquer vestígio de enriquecimento pessoal que manchasse sua biografia. O cerco a Lula se dá em um momento em que ele lidera todas as pesquisas de opinião para as eleições de 2018 e após o êxito de sua caravana pelo Nordeste", completou a nota.

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