Defesa de Jefferson deve questionar não-inclusão de Lula

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Ayres Britto, abriu na tarde desta segunda-feira a oitava sessão de julgamento do processo do mensalão. O advogado Luiz Francisco Corrêa Barbosa, que defende o presidente do PTB e denunciador do mensalão, ex-deputado Roberto Jefferson (RJ), deverá questionar por que o nome do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva não foi incluído no processo.

RICARDO BRITO, Agência Estado

13 de agosto de 2012 | 14h46

O pedido já foi levado ao Supremo repetidas vezes, sendo em todas as ocasiões rejeitadas. Reservadamente, um dos ministros do STF afirmou que o nome de Lula não foi incluído no processo por estratégia do Ministério Público. Se Lula fosse denunciado, as investigações ficariam travadas.

Contra Jefferson pesa acusação de ter recebido R$ 4,5 milhões no esquema, depois de ter fechado um acordo em que o PT teria prometido entregar R$ 20 milhões ao PTB. O advogado de Jefferson, o segundo entre os cinco defensores a apresentar sua sustentação oral nesta tarde, deve repetir o mesmo roteiro dos demais réus. Confirmará que houve repasse de recursos, como acusa o Ministério Público, mas insistirá na tese de que o dinheiro era parte de um acordo eleitoral entre PTB e PT. Assim, tentará livrar seu cliente das acusações de corrupção passiva e de lavagem de dinheiro.

Serão ouvidas ainda as defesas de mais quatro réus: do ex-deputado Bispo Rodrigues (ex-PL, atual PR-RJ); do ex-deputado Romeu Queiroz (PSB-MG), que era do PTB na época do escândalo; do ex-deputado José Borba (PMDB-PR) e de Emerson Palmieri, então primeiro-secretário do PTB.

Segundo o Ministério Público, Bispo Rodrigues recebeu R$ 150 mil do esquema para votar a favor do governo. Sua defesa deverá afirmar que o dinheiro recebido era para pagar dívidas de campanha de 2002. Romeu Queiroz teria recebido R$ 102 mil. A defesa deve confirmar recebimento do valor, mas dizer que foi repassado ao PTB. Já a defesa de José Borba negará que o ex-deputado tenha recebido os R$ 200 mil, como sustenta a acusação.

Por fim, será feita a defesa de Emerson Palmieri, que teria recebido R$ 4 milhões do esquema para o PTB e ajudado na formalização do acordo em que o PT teria prometido R$ 20 milhões à sigla. Sua defesa deve dizer que Palmieri apenas cumpria ordens.

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