Defesa de governador afastado deve desistir de habeas corpus

A avaliação é de que julgamento do mérito do habeas corpus pode ser desastroso para José Roberto Arruda

Fausto Macedo, Rafael Moraes Moura e Ana Paula Scinocca,

18 Fevereiro 2010 | 02h10

A defesa do governador afastado José Roberto Arruda (sem partido, ex-DEM) pode desistir do habeas corpus que, em caráter liminar, foi rechaçado pelo ministro Marco Aurélio Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF). Os advogados de Arruda estudam estratégia para tentar livrá-lo da custódia decretada pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) há uma semana, sob acusação de corrupção de testemunha do inquérito Caixa de Pandora.

 

A defesa avalia que "neste instante" julgamento de mérito do habeas corpus pode ser desastroso para suas pretensões. Não acredita que o pleno do STF, em sua maioria, possa derrubar o entendimento de Marco Aurélio, relator, diante do clamor público que envolve a demanda.

 

O criminalista Nélio Machado, que integra a defesa, protestou contra "hostilidades e o tratamento desigual". Segundo ele, "neste episódio, o Poder Judiciário está sendo muito reverente com o Ministério Público e a Polícia Federal e tolerante com práticas abusivas que violam e agridem o princípio da isonomia entre as partes".

 

O advogado José Gerardo Grossi disse que uma eventual renúncia de Arruda "não faria diferença absolutamente nenhuma" na obtenção de habeas corpus. Ao deixar o prédio da Superintendência da PF, onde Arruda está preso, Grossi negou que tenha tratado de possível renúncia. "Este é um assunto político, advogado não tem opinião", disse. Grossi disse que o governador está abatido e preocupado.

 

"Está recolhido, nervoso. É o caminho do preso. Em geral, acaba fazendo um processo de depressão", disse o advogado.

 

Bíblia

 

Na sala que Arruda ocupa, segundo Grossi, há uma bíblia e livros religiosos. Durante a entrevista do advogado, à saída do prédio da PF, um grupo de manifestantes pró-Arruda criticou o trabalho da imprensa e defendeu o governador afastado. Na quarta-feira, 17, Arruda recebeu a visita de sua mulher, Flávia, por cerca de 40 minutos.

 

Na terça-feira, 16, o governador em exercício, Paulo Octávio, viajou para Goiânia a fim de tentar conquistar o apoio de seu maior crítico, o senador Demóstenes Torres (GO), que defende sua expulsão do DEM. Mas Demóstenes não mudou sua posição. Paulo Octávio, que sábado havia admitido que pode renunciar ao cargo, acrescentou, depois do encontro com o senador, que a solução para a crise política pode ser mesmo entregar o governo ao presidente da Câmara Distrital ou ao presidente do Tribunal de Justiça do DF.

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