Defesa de Dantas recorre contra condenação por corrupção

Advogado do banqueiro condenado a dez anos de prisão disse que esperava a sentença condenatória

Anne Warth, da Agência Estado

02 de dezembro de 2008 | 20h03

A defesa do sócio-fundador do Banco Opportunity,  Daniel Dantas, anunciou nesta terça-feira, 2,  que recorreu ao Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF3) contra a decisão judicial que o condenou a 10 anos de prisão pelo crime de corrupção ativa.   Veja também: A íntegra da nota da defesa de Dantas  Ao condenar Dantas, juiz aproveita para se defender e cita STF Justiça condena Dantas a dez anos por corrupção Leia a íntegra da decisão do juiz De Sanctis  Pela 2ª vez, CNJ adia julgamento do juiz do caso Dantas MP pode recorrer para pedir pena maior  Advogado diz que processo é 'absolutamente nulo'   Novo relatório da Satiagraha é 'reprodução', diz Protógenes As fases da Operação Satiagraha: o que mudou e o que fica igual As prisões de Daniel Dantas  Os alvos da Operação Satiagraha    O recurso de apelação pede o reexame integral de toda a causa e dos aspectos dela. A medida vai anexada à sentença do juiz da 6ª Vara Criminal Federal de São Paulo, Fausto Martin de Sanctis. O advogado de Dantas, Nélio Machado, disse que esperava a sentença condenatória.   Machado ressaltou ter levantado a suspeição sobre De Sanctis desde o início do processo. O advogado de Dantas afirmou considerá-lo  um juiz "daqueles que se empolgam". "Melhor fora se tal magistrado tivesse prestado concurso público para o Ministério Público (MP) ou para a Polícia Federal (PF)", ironizou.   "O único acerto do juiz é quando reconhece o direito do meu cliente de recorrer em liberdade", disse. Machado afirmou que De Sanctis produziu um "calhamaço de centenas de páginas que poderia ser reduzido a 20 páginas".   "A sentença repete temas já repassados e discutidos. A pena é completamente despropositada para alguém que não cometeu crime nenhum", destacou, citando que assassinos e estupradores recebem penas menores.   O advogado citou que o processo não provou a origem do dinheiro usado na tentativa de subornar um delegado da PF para retirar os nomes de Dantas e de familiares dele das investigações. Machado disse também que analisa a possibilidade de entrar com uma medida judicial contra De Sanctis e o juiz Ali Mazloum, da 7ª Vara Criminal Federal, questionando a recusa deles em permitir o acesso da defesa à investigação sobre a conduta do delegado Protógenes Queiroz, da PF, mentor da Operação Satiagraha, posteriormente substituído pelo delegado Ricardo Saadi.   "A sentença é uma louvação ao dr. Protógenes, transformado em celebridade nacional e arauto da moralidade", ironizou. Dantas é "vítima de inaudita perseguição política", disse. "Não estamos diante de um caso normal." A defesa disse que não há prazo para o TRF3 analisar o recurso.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.