Defesa de Dantas recorre ao TRF contra condenação

Advogado afirmou que o processo não provou a origem do dinheiro usado na tentativa de subornar um delegado

ANNE WARTH, Agencia Estado

02 de dezembro de 2008 | 20h28

A defesa do sócio-fundador do Banco Opportunity,  Daniel Dantas, anunciou nesta quarta-feira, 3,  que recorreu ao Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF-3) contra a decisão judicial que condenou o banqueiro a dez anos de prisão pelo crime de corrupção ativa. O recurso de apelação pede o reexame integral de toda a causa e dos aspectos dela. A medida vai anexada à sentença do juiz da 6ª Vara Criminal Federal de São Paulo, Fausto Martin de Sanctis.   Veja também: Leia a íntegra da decisão do juiz De Sanctis  Pela 2ª vez, CNJ adia julgamento do juiz do caso Dantas Justiça condena Dantas a dez anos por corrupção MP pode recorrer para pedir pena maior  Novo relatório da Satiagraha é 'reprodução', diz Protógenes As fases da Operação Satiagraha: o que mudou e o que fica igual As prisões de Daniel Dantas  Os alvos da Operação Satiagraha  O advogado de Dantas, Nélio Machado, contou que já esperava a sentença condenatória. Ele afirmou ter levantado suspeição sobre De Sanctis desde o início do processo. O advogado de Dantas afirmou considerá-lo é um juiz "daqueles que se empolgam". "Melhor fora se tal magistrado tivesse prestado concurso público para o Ministério Público (MP) ou para a Polícia Federal (PF)", ironizou."O único acerto do juiz é quando reconhece o direito do meu cliente de recorrer em liberdade", disse. Machado afirmou que De Sanctis produziu um "calhamaço de centenas de páginas que poderia ser reduzido a 20 páginas". "A sentença repete temas já repassados e discutidos. A pena é completamente despropositada para alguém que não cometeu crime nenhum", disse ele, citando que assassinos e estupradores recebem penas menores.O advogado afirmou que o processo não provou a origem do dinheiro usado na tentativa de subornar um delegado da PF para retirar os nomes de Dantas e de familiares dele das investigações. Machado disse também que analisa a possibilidade de entrar com uma medida judicial contra De Sanctis e o juiz da 7ª Vara Criminal Federal, Ali Mazloum, questionando a recusa deles em permitir o acesso da defesa à investigação sobre a conduta do delegado Protógenes Queiroz, da PF, mentor da Satiagraha, posteriormente substituído pelo delegado Ricardo Saadi."A sentença é uma louvação ao dr. Protógenes, transformado em celebridade nacional e arauto da moralidade", afirmou o advogado. Dantas é "vítima de inaudita perseguição política", disse. "Não estamos diante de um caso normal." A defesa informou que não há prazo para o TRF-3 analisar o recurso.

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