Defesa de Dantas quer usar denúncia contra Protógenes

A denúncia contra o delegado Protógenes Queiroz, por quebra de sigilo e fraude processual, será usada pelo banqueiro Daniel Dantas para tentar esvaziar a Operação Satiagraha. Advogados do fundador do Opportunity vão juntar cópia da acusação a Protógenes, feita pela Procuradoria da República, ao recurso que interpuseram contra a sentença judicial que aplicou 10 anos de prisão a Dantas, por corrupção ativa. Estudam incluir o documento no inquérito principal contra o banqueiro, no qual é investigado por evasão, lavagem de dinheiro, crimes financeiros e empréstimos vedados.

AE, Agencia Estado

11 de maio de 2009 | 08h22

Protógenes teria divulgado dados secretos da missão, antes da sua execução, e ordenado o corte de trechos de fita com imagens de reuniões em um restaurante entre supostos emissários de Dantas e o delegado Victor Hugo Alves, a quem teria sido oferecido US$ 1 milhão pelo arquivamento do caso.

A defesa de Dantas recorreu da condenação ao Tribunal Regional Federal. ?A denúncia (contra Protógenes) reforça a alegação de nulidade?, disse o advogado Andrei Schmidt. Ele diz, porém, que a acusação ?protege deliberadamente? a atuação da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), que cedeu 84 agentes para atuar em parceria com a Polícia Federal. Os procuradores não veem crime na aliança Abin/PF, mas recomendam investigação por improbidade administrativa.

?É fato que o Ministério Público Federal, nas alegações finais do processo por corrupção ativa, não se valeu em nenhum momento da gravação?, esclareceu o procurador da República Rodrigo de Grandis, acusador da Satiagraha, que ainda não teve acesso ao teor da denúncia contra Protógenes. ?Foi utilizado o áudio daquela reunião, áudio autorizado pelo juiz Fausto De Sanctis em procedimento de ação controlada.?

Grandis assinalou que ?a filmagem não foi elemento de sustentação para a condenação, que é resultado da conjugação de diversos outros detalhes, como a versão das testemunhas, apreensão de valor expressivo em dinheiro na casa de Hugo Chicaroni (condenado com Dantas) e o áudio?. O procurador asseverou que ?a fita de vídeo é irrelevante, não teve importância alguma para formação da convicção do juiz?. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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