Ueslei Marcelino/Reuters
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Defesa de Cunha pede arquivamento de inquérito contra ele na Lava Jato

Advogados argumentam que os fatos narrados por delatores da operação 'não constituem crime' e solicitam que ministro Teori Zavascki reconsidere a abertura de investigação contra presidente da Câmara

Talita Fernandes e Beatriz Bulla, O Estado de S. Paulo

17 de março de 2015 | 22h30

Brasília - A defesa do presidente da Câmara, o deputado federal Eduardo Cunha (PMDB-RJ), entrou com um pedido para que o ministro Teori Zavascki, relator da Lava Jato no Supremo Tribunal Federal (STF), reconsidere decisão de abrir inquérito sobre Cunha.

Em agravo peticionado no início da noite desta terça-feira, 17, os advogados argumentam que os fatos narrados por delatores da Operação Lava Jato não "não constituem crime". Os advogados pedem ainda que, caso Zavascki não aceite o pedido de reconsideração, que o recurso seja levado para julgamento do Plenário do STF. 

"Esperamos convencer o ministro Teori a reconsiderar a decisão. Caso ele não a reveja, que leve o caso para o Plenário", disse Davi Evangelista, um dos advogados do presidente da Câmara. Na petição apresentada ao ministro relator, os advogados escrevem que "a leitura atenta dos referidos depoimentos revela, contudo, que as informações deles extraídas não possuem qualquer consistência e idoneidade para gerar credibilidade, não podendo, portanto, receber tecnicamente a qualificação de indícios", escreveram. A defesa de Cunha está sendo conduzida pelos advogados Davi Evangelista, Reginaldo de Castro, Antônio Fernando Souza e Alexandre Souza. 

Os delatores da Lava Jato, o ex-diretor de Abastecimento da Petrobrás Paulo Roberto Costa e o doleiro Alberto Youssef, narram episódios em que Cunha teria sido beneficiado pelo esquema de pagamento de propina envolvendo partidos e empreiteiras em troca de que apoio político e escolha de diretores da Petrobrás. No documento apresentado pela Procuradoria-Geral da República (PGR) ao STF são citadas doações de empreiteiras para campanhas de Cunha. 


Desde que teve a confirmação de que está entre os investigados no âmbito da Lava Jato no STF, Cunha tem dirigido fortes críticas ao procurador-geral da República, Rodrigo Janot, e chegou a dizer que o procurador deveria declarar-se impedido de ser reconduzido ao cargo, em setembro de 2015, quando vence o mandato de dois anos de Janot à frente do Ministério Público Federal.

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