Defesa de Cunha descarta pedir suspensão da tramitação do processo no Conselho de Ética

Defesa de Cunha descarta pedir suspensão da tramitação do processo no Conselho de Ética

Em primeira sessão depois de afastamento do peemedebista, ninguém fez a defesa enfática de Cunha e, quando se manifestaram, demonstraram interesse em acelerar os trabalhos

Daiene Cardoso, O Estado de S.Paulo

10 de maio de 2016 | 16h48

Brasília - O advogado de defesa do presidente afastado da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), no processo por quebra de decoro parlamentar no Conselho de Ética, Marcelo Nobre, descartou nesta terça-feira, 10, a possibilidade de pedir a suspensão da tramitação da representação. Para o advogado, não há provas que possam levar a cassação do mandato do peemedebista. "A defesa está tranquila que não há provas (contra ele)", afirmou.

Deputados que integram a "tropa de choque" de Cunha contrariaram a expectativa e não manifestaram, durante a reunião da tarde desta terça, a intenção de pedir trancamento do processo disciplinar em virtude do afastamento do mandato determinado pelo Supremo Tribunal Federal. Essa foi a primeira sessão do conselho após a decisão da Corte.

O grupo teve um comportamento atípico nesta terça: ninguém fez a defesa enfática de Cunha e, quando se manifestaram, demonstraram interesse em acelerar os trabalhos. "Precisamos finalizar logo esse processo", defendeu João Carlos Bacelar (PR-BA), aliado de Cunha, ao perguntar sobre os prazos finais do processo.

O relator do processo, deputado Marcos Rogério (DEM-RO), acredita que o fato de ter antecipado o estudo técnico recomendando que não haja suspensão do caso por causa do afastamento fez a "tropa de choque" de Cunha recuar. "Não há impedimento para que o processo avance", ressaltou.

No entanto, Rogério considera cedo para avaliar o comportamento dos aliados de Cunha e lembrou que questionamentos sobre o andamento do processo ainda podem ser feitos na fase de instrução (que termina no dia 19) no próprio conselho ou futuramente na Comissão de Constituição e Justiça.

O advogado disse não saber ainda se o peemedebista comparecerá para depor. A Cunha serão oferecidos os dias 18 e 19 deste mês para prestar esclarecimentos aos pares. "É uma questão muito pessoal. Ele que tem que decidir se vem ou não", desconversou. Cunha não é obrigado a comparecer no conselho.

A reunião da tarde desta terça foi apenas para a apresentação de um parecer que estabelece novas regras de substituição de titulares e suplentes no colegiado. A proposta visa impedir mudanças no conselho na reta final da apreciação do caso Eduardo Cunha.

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