Defesa de Chicaroni tenta vincular seu cliente a Protógenes

Justiça ouviu nesta sexta-feira quatro testemunhas do caso Dantas, entre elas, delegado que assumiu operação

Carolina Ruhman, da Agência Estado

22 de agosto de 2008 | 18h21

Terminou nesta sexta-feira, 22, a audiência na 6ª Vara Criminal da Justiça Federal em São Paulo, presidida pelo juiz Fausto Martin de Sanctis, na qual foram ouvidas as testemunhas de defesa de Hugo Chicaroni e Humberto Braz, dois dos acusados no processo que resultou das investigações da Operação Satiagraha, da Polícia Federal. A defesa de Chicaroni tentou mostrar, na audiência desta sexta, que a relação entre seu cliente e o delegado Protógenes Queiroz, que presidiu essas investigações, era uma "relação de amizade sólida", na tentativa de provar que teria ocorrido uma "provocação" da autoridade policial, no suposto suborno de Hugo Chicaroni e Humberto Braz, ao delegado Vitor Hugo Rodrigues Ferreira. Chicaroni, Humberto Braz e o sócio fundador do Banco Opportunity, Daniel Dantas, são acusados de corrupção ativa.   Veja também: Entenda como funcionava o esquema criminoso  As prisões de Daniel Dantas   A primeira testemunha ouvida foi o delegado Ricardo Saadi, que substituiu Protógenes na Satiagraha. Ele foi arrolado como testemunha de defesa e, portanto, não pôde faltar à audiência. De acordo com o procurador Rodrigo De Grandis, Saadi foi "arrolado como testemunha de Hugo Chicaroni porque tomou um depoimento dele na fase policial".   A testemunha seguinte foi o escrivão da PF, Amadeu Ranieri, que havia sido arrolado como testemunha de acusação do Ministério Público, mas foi dispensado e não chegou a depor na semana passada. Hoje ele foi arrolado como testemunha de defesa de Humberto Braz. Na avaliação do procurador De Grandis, Ranieri "não acrescentou muita coisa (no depoimento de hoje), porque não participou de forma ativa nas investigações".   Em seguida, foi ouvido o delegado Adelino Augusto de Andrade Júnior. De acordo com a defesa de Chicaroni, o depoimento do delegado visou provar a relação entre Chicaroni e Protógenes. De acordo com o advogado de Chicaroni, teria sido Protógenes quem apresentou Chicaroni ao delegado Adelino. "Foi confirmado pelo doutor Adelino que havia uma amizade, sim, entre Protógenes e Hugo Chicaroni", afirmou o advogado de defesa de Chicaroni.   A última testemunha a depor foi o advogado Roberto Jorge Alexandre. Segundo a defesa de Chicaroni, em seu depoimento, a testemunha afirmou que foi apresentado por Chicaroni ao delegado Protógenes. A defesa de Chicaroni insiste que a relação entre Protógenes e seu cliente é uma "relação de amizade duradoura". Questionado, De Grandis evitou falar sobre a linha utilizada pela defesa de Chicaroni. "Não costumo comentar sobre estratégia de defesa", disse.   Segundo De Grandis, as testemunhas basicamente falaram sobre antecedentes, sobre a vida pessoal dos acusados e não acrescentaram, na sua perspectiva, nada de novo. De acordo com o advogado de Daniel Dantas, Nélio Machado, foi reiterado o pedido de quebra de sigilo dos delegados Vitor Hugo e Protógenes e de Hugo Chicaroni. "Nos autos há indicação concreta de que o delegado (Protógenes) ligava para Chicaroni", disse Machado, ressaltando, entretanto, que Dantas não estaria relacionado a Hugo Chicaroni.   Nélio Machado aproveitou para tentar, de novo, o processo como um todo, dizendo o seguinte a respeito do delegado Saadi. "Ele cuida da investigação a partir de certo momento e ele estranhamente não consegue dizer nada de concreto sobre esta ação agora, em exame." E continuou: "Então, é como se ele tivesse começando a trabalhar a partir deste momento".   Segundo ele, Saadi "comportou-se de maneira educada, mas não sabe nada sobre a Satiagraha, absolutamente nada". Na avaliação do advogado de Dantas, o depoimento de Saadi, "na verdade (foi) em desfavor dos acusados", já que ele não teria esclarecido "nada". De acordo com De Grandis, o processo entra agora em "uma nova fase, na qual serão ouvidas as demais testemunhas de defesa de Chicaroni, Humberto Braz e Daniel Dantas. "Serão ouvidas testemunhas de fora de São Paulo, por carta precatória. "Há também testemunhas estrangeiras que serão ouvidas no exterior", afirmou. Somente após o fim dos depoimentos, é que o Juiz Fausto Martin de Sanctis poderá dar a sua sentença.   Chicaroni ainda arrolou uma testemunha de Brasília para depor. Humberto Braz indicou duas testemunhas de Belo Horizonte, uma de Brasília e outras três que ainda não tiveram os endereços apresentados. Dantas apresentou quatro testemunhas da Bahia, uma de Brasília, uma do Rio de Janeiro, uma de Nova Iorque e outra de Roma. Uma das testemunhas de Dantas, será o senador Heráclito Fortes (DEM-PI).

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