Defesa de Cerveró vai contestar delação de Costa na Justiça

Advogado do ex-diretor da área Internacional da estatal afirma que depoimento não foi tomado espontaneamente, mas sob 'coação'

Antonio Pita, O Estado de S. Paulo

29 de outubro de 2014 | 18h07

Rio - A defesa do ex-diretor da área internacional da Petrobrás, Nestor Cerveró, vai questionar a validade das denúncias feitas pelo ex-diretor da estatal Paulo Roberto Costa em seus depoimentos para a Policia Federal e o Ministério Público Federal em delação premiada. A avaliação do advogado Edson Ribeiro é que a delação não foi realizada "espontaneamente", como prevê a legislação sobre o tema. Cerveró e a diretoria internacional da Petrobrás foram citados pelo ex-diretor de abastecimento como integrantes de esquema de desvios e pagamento de propinas a partidos. 

"Não há um advogado criminalista que reconheça esse procedimento. Ela é contrário ao que determina a Justiça, que pressupõe espontaneidade. Não poderia ser espontânea se Costa estava preso e teve ameaças de que sua família também seria presa", afirmou Ribeiro, que defende "cautela" na divulgação das informações e denúncias de Paulo Roberto Costa. "Os advogados envolvidos na defesa vão contestar a delação obtida sob coação. Não dá para imaginar que não tenha havido coação ou promessa de que estaria solto logo que falasse", completou o advogado. 

Ribeiro não quis comentar as denúncias de Paulo Roberto Costa, nem as novas questões formuladas pela Petrobrás ao ex-diretor. Com base no depoimento de Paulo Roberto Costa em audiência na 13ª Vara Federal, do Paraná, a Petrobrás entrou na Justiça com um pedido de esclarecimentos ao ex-diretor sobre as denúncias. Entre as questões levantadas pela estatal está o envolvimento de outros diretores em negócios irregulares, bem como a participação dos executivos na definição do escopo de parceria entre a Petrobras e a PDVSA na construção da refinaria Abreu e Lima (Rnest). 

Segundo o advogado, Cerveró não teve envolvimento na concepção deste negócio, uma vez que já teria deixado a estatal quando da definição do projeto de Abreu e Lima, em 2008. O ex-diretor deixou a diretoria internacional da Petrobrás em março de 2008 para ocupar uma diretoria na subsidiária da estatal, a BR Distribuidora. 

Ribeiro avaliou também que os depoimentos de Costa devem ser oficializados com "documentos e provas". Só então ele poderia se pronunciar sobre o caos. 

"Desconheço as denúncias, mas pelo foco das investigações ser Abreu e Lima, acredito que Cerveró já não era diretor da Petrobrás nesse período. Informações até aqui são oficiosas, qualquer pessoa pode dizer que ouviu ou viu alguma coisa. Nos depoimentos feitos até aqui, não vi menção à ele e se houvesse, seria equivocada", disse o advogado. Segundo ele, Cerveró ainda não foi convocado para novo depoimento nas auditorias internas da Petrobrás, que contratou duas empresas independentes para aprofundar as apurações.

O advogado afirmou ainda que seu cliente se disponibilizou a ser ouvido pela Polícia Federal e pelo Ministério Público sobre as investigações da Operação Lava Jato, o que até agora não ocorreu. 

"Acho importante que se faça investigação, tem que ser bem esclarecidas as responsabilidades sobre os prejuízos causados à Petrobrás. Nós entendemos que Cerveró e a diretoria não podem ser responsabilizados pelos prejuízos de Pasadena", disse.

 

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