Defesa de Arruda diz que MP 'terceiriza' a acusação

A acusação se lastreia apenas na palavra do delator do esquema de corrupção em Brasília, diz advogado

RICARDO BRITO, Agência Estado

29 de junho de 2012 | 18h54

BRASÍLIA - O advogado Edson Smaniotto, que defende o ex-governador do Distrito Federal José Roberto Arruda, disse nesta sexta-feira, 29, causar "estranheza" o fato de a denúncia criminal contra seu cliente ter saído quase três anos depois da Operação Caixa de Pandora e no último dia antes do fim do semestre no Judiciário. Nesta sexta, o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, ofereceu denúncia contra o ex-governador do DF e mais 37 pessoas envolvidas no escândalo que ficou conhecido como mensalão do DEM. Segundo Smaniotto, a acusação se lastreia apenas na palavra de Durval Barbosa, ex-secretário de Relações Institucionais de Arruda e delator do esquema de corrupção em Brasília.

"O fundamento para se oferecer denúncia é menor do que para pedir uma prisão. É menor ainda para retirar alguém do poder. Era de se imaginar que, se a denúncia fosse consistente, teria sido feita anteriormente. Por que agora? Por que fundamentando a denúncia numa só pessoa, terceirizando a acusação?", questionou ele, que ainda teve acesso aos autos.

O advogado lembrou que Arruda foi preso durante 62 dias e afastado do poder por ordem do Superior Tribunal de Justiça (STJ). O ex-governador foi detido por obstrução da Justiça. Segundo o defensor, ele jamais foi ouvido no curso das investigações. "Agora vamos poder dar a nossa versão dos fatos", afirmou.

Smaniotto disse ter conversado com o Arruda nesta sexta, logo após a denúncia ter sido oferecida. Segundo o advogado, ele recebeu a notícia da acusação com naturalidade. "Já era esperado", disse.

O defensor afirmou que é "interessante considerar" que, às vésperas do julgamento do mensalão do PT, o Ministério Público oferece denúncia do escândalo que ficou conhecido como mensalão do DEM. Questionado pela Agência Estado se é uma tentativa de estar bem com os dois lados, Smaniotto não quis se comprometer: "(A denúncia agora) Permite qualquer tipo de conclusão pela estratégia de ela sair três anos após o fato", afirmou.

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