Fabio Motta/Estadão
Fabio Motta/Estadão

Defesa de Anastasia pede audiência no STF para ver depoimento da Lava Jato

Advogados do senador querem ter acesso ao inteiro teor das acusações do agente da PF investigado na Operação e que disse ter entregado R$ 1 milhão ao tucano

Marcelo Portela, O Estado de S. Paulo

12 de janeiro de 2015 | 18h26


Belo Horizonte - A defesa do ex-governador de Minas Gerais Antonio Anastasia (PSDB), eleito senador em outubro passado, solicitou audiência com o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Ricardo Lewandowski. O advogado Maurício Campos Júnior quer conhecer todo o teor das declarações do policial federal Jayme Alves de Oliveira Filho, conhecido como Careca, que afirmou ter entregado dinheiro ao tucano em 2010 a mando do doleiro Alberto Youssef, preso durante a Operação Lava Jato da Polícia Federal.

Campos Júnior afirmou que, a pedido de Anastasia, pretende adotar "providências que promovam o esclarecimento da absurda declaração do policial o mais rápido possível". Para isso, porém, precisa ter "acesso formal ao depoimento em questão, entre outras peças de informação" do processo. O advogado lembrou que a diplomação de Anastasia em dezembro passado como senador "fixa foro especial" para o tucano e, apesar de a Lava Jato estar a cargo da Justiça Federal no Paraná, apenas o STF tem competência para autorizar investigações contra parlamentares.

No caso de Anastasia, o policial disse ter entregado na campanha eleitoral de 2010 R$ 1 milhão ao tucano, que foi reeleito governador de Minas naquele ano. O agente da PF é apontado como o "carregador de malas" do doleiro e já foi denunciado por organização criminosa, corrupção e lavagem de dinheiro. Ele chegou a ser preso em novembro, mas foi solto alguns dias depois por ordem da Justiça Federal.

O ex-governador está fora do País, mas se dispôs a participar de acareação com Careca. Além do tucano, o agente também afirmou ter entregado dinheiro enviado por Youssef ao deputado federal Eduardo Cunha (PMDB-RJ), que disputa a presidência da Câmara. 

Repasses. Nesta segunda, o advogado de Youssef, Antônio Figueiredo Basto, afirmou ao Broadcast Político que  doleiro não conhece o Anastasia nem Eduardo Cunha e não fez negócio com os dois.O defensor, contudo, admitiu que houve um pedido de Youssef para que Careca entregasse R$ 1 milhão em Minas Gerais, Estado governado até o ano passado por Anastasia. 

O advogado não soube precisar para quem e quando foi entregue a quantia e tampouco quando o pedido foi feito ao policial. "Meu cliente deu dinheiro a ele para entregar em Minas Gerais. Mas em momento algum meu cliente soube ou tinha relacionamento com o Anastasia. Agora se o Jayme Careca tem alguma coisa a informar, de que o destino do dinheiro foi o Anastasia, cabe a ele provar isso".

Tabela apreendida pela Polícia Federal em um escritório de Youssef, um dos chefes do esquema investigado pela Lava Jato, indica que Careca fez ao menos 31 entregas de dinheiro vivo entre 2011 e 2012. O valor distribuído chegou a R$ 16,9 milhões. Careca é apontado pelos investigadores como um dos "carregadores de malas" do doleiro. 

O agente da PF - já denunciado por organização criminosa, corrupção e lavagem de dinheiro - também declarou que fez entregas no endereço do condomínio onde Cunha tem casa, mas não disse que o repasse foi feito diretamente ao parlamentar. O policial federal chegou a ser preso em novembro, mas foi solto alguns dias depois por ordem da Justiça Federal.

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