Defesa alega desconhecer acusações

Advogado deve entrar com pedido de habeas corpus em favor de Valério

Eduardo Kattah, O Estadao de S.Paulo

11 de outubro de 2008 | 00h00

Marcos Valério Fernandes de Souza não foi algemado pela Polícia Federal. Ele foi surpreendido pela PF por volta de 6 horas em sua casa no bairro Castelo, região norte da capital mineira. "A única coisa que a gente sabe é que a investigação tem origem em São Paulo", disse o advogado Marcelo Leonardo, que representa Valério e deverá entrar com habeas corpus em favor de seu cliente. Outro advogado, Paulo Sérgio de Abreu e Silva, que representa Rogério Tolentino, sócio de Valério, declarou: "É um processo que teve início em São Paulo no ano passado e na época o possível crime a ser investigado era contrabando. Eu nunca soube que Marcos Valério ou Rogério tivessem exportado ou importado qualquer coisa. Mas agora os delegados já falam em corrupção, outras coisas e a gente não tem como avaliar sem ver."Em Belo Horizonte também foram cumpridos outros quatro mandados de prisão, entre os quais do advogado tributarista Ildeu da Cunha Pereira, superintendente jurídico do Cruzeiro. Na sede da PF em Belo Horizonte, Valério e Tolentino permaneceram numa sala à espera da transferência para São Paulo, o que só ocorreu no final da tarde. De camiseta vermelha e calça jeans, Valério demonstrava abatimento e constrangimento com a prisão. "Ninguém espera essa situação", comentou seu advogado.Tolentino foi preso em seu apartamento, no bairro Santo Antônio, região sul da capital mineira. Os agentes cumpriram mandado de busca e apreensão no local e em seu escritório, onde recolheram HDs de computadores.Desde o estouro do escândalo do mensalão, que levou ao fechamento de suas agências de publicidade SMPB e DNA, Valério - cujos bens estão bloqueados - afirma que tem vivido de consultorias empresariais do escritório que mantém com Tolentino na zona sul de Belo Horizonte. O Estado entrou em contato com o escritório de advocacia de Ildeu Pereira, mas uma funcionária disse que ninguém estava autorizado falar sobre as prisões do advogado e de Eloá Leonor da Cunha Velloso.Fundada em 1994, a Cervejaria Petrópolis - terceira maior empresa do setor no país, que fabrica as marcas Itaipava, Crystal, Petra, Lokal e Black Princess, com 124 revendas espalhadas por todo o País, produção de 607 milhões de litros e faturamento de R$ 1,028 bilhão em 2007 -, emitiu comunicado à imprensa, por meio do qual informa que "não possui qualquer tipo de contrato de trabalho com o sr. Marcos Valério Fernandes de Souza".A PF fez busca e apreensão na unidade da Petrópolis em Boituva. Segundo a nota, "a Cervejaria Petrópolis não teve acesso ao inquérito que originou esta atitude da Polícia Federal". O grupo diz que "está à disposição das autoridades para prestar qualquer tipo de esclarecimento". A Petrópolis não se manifestou sobre a multa de R$ 104, 54 milhões aplicada pela Fazenda estadual.

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