Defensores do impeachment 'engrossam' lista para desconstruir ex-ministro de Dilma

Diferente do que aconteceu na sexta-feira, quando senadores não fizeram perguntas, o número de inscritos cresceu além do que estava previsto

O Estado de S.Paulo

27 Agosto 2016 | 19h37

BRASÍLIA - Numa mudança de estratégia, os defensores do impeachment da presidente afastada, Dilma Rousseff, decidiram “engrossar” neste sábado, 27, a lista de senadores para ouvir o ex-ministro da Fazenda da petista, Nelson Barbosa. A ação teve por objetivo tentar desconstruir o discurso de Barbosa – integrante do governo petista no rol de testemunhas de defesa – de que Dilma não cometeu crime de responsabilidade. Na sessão, encerrada às 22h41 e que durou cerca de 12 horas, ainda foi ouvido o professor da Uerj Ricardo Lodi, na condição de informante.

Inicialmente, a previsão era de que apenas 17 senadores fariam perguntas ao ex-ministro, a maioria dos parlamentares apoiadores da presidente afastada. Contudo, senadores favoráveis ao afastamento da presidente começaram a se inscrever para fazer o embate contra Barbosa – ao final, 32 senadores fizeram questionamentos.

No caso das outras testemunhas, aliados de Temer foram mais moderados a fazer perguntas. O objetivo foi agilizar o andamento das sessões.

O depoimento de Barbosa durou cerca de oito horas. Já no último depoimento do dia, o senador Cristovam Buarque (PPS-DF) questionou Ricardo Lodi se ele, como professor de uma faculdade de Direito, considerava que o direito de defesa de Dilma havia sido garantido durante o julgamento. Lodi disse que sim e Cristovam considerou que essa manifestação dava-lhe garantia para votar a favor do impeachment da presidente afastada.

"E aí quero dizer, no meu caso, que eu tenho as três convicções: duas por análises que eu faço, por um conhecimento que eu tenho de anos e anos; e uma por perceber que o Direito, sendo algo que não é científico, é o pleno direito à defesa que permite convencer de que houve crime de responsabilidade. Nesse sentido, o senhor, talvez o último a fazer aqui uma apresentação, para mim fez uma apresentação fundamental para a minha decisão", disse.

As outras testemunhas da defesa foram ouvidas na sexta. Foram elas o economista Luiz Gonzaga Belluzzo, o economista e advogado Geraldo Prado e o ex-secretário-executivo do Ministério da Educação do governo Dilma Luiz Cláudio Costa.

Na quinta, o primeiro dia de julgamento, os senadores ouviram os depoimentos das testemunhas arroladas pela acusação. 

A sessão deste sábado, concluída com a fala de Lodi, durou 9 horas e 49 minutos, descontando as interrupções. O presidente do STF, Ricardo Lewandowski, anunciou que Dilma virá na segunda-feira, 29, às 9 horas.

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