EVELSON DE FREITAS/ESTADÃO
EVELSON DE FREITAS/ESTADÃO

'Defendo as vítimas, negros, gays e crentes'

Ex-comandante da Rota foi indicado a uma das vagas na Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa de São Paulo

Entrevista com

Paulo Adriano Telhada

Marcelo Godoy, O Estado de S.Paulo

09 de maio de 2015 | 02h03

O coronel Paulo Adriano Telhada, de 63 anos, é o primeiro ex-integrante das Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (Rota) a ocupar uma cadeira na Comissão de Direitos Humanos da Assembleia. Ontem, ele defendeu sua escolha.

Coronel, por que a Comissão de Direitos Humanos?

Essa é uma comissão em que vou começar a trabalhar. Como bom militar, vou ouvir e aprender. Estou em quatro comissões e nas Frentes Parlamentares de Segurança, Evangélica e Ferroviária. Vim aqui para trabalhar.

Quem vai presidir a Comissão?

Será o Bezerra (Carlos Bezerra Junior). Ele é uma das pessoas mais preocupadas com a minha ida para lá. Não sei por quê. Em vez de estar feliz, está assustado. Não sei se está com medo de perder espaço ou de que eu vá tumultuar. O que quero é trazer uma face nova à Assembleia na parte dos direitos humanos, porque a população, mais do que nunca, precisa de direitos humanos. Temos várias vítimas diárias no Estado que não recebem o devido apoio do governo. A Comissão é para isso: garantir esses direitos.

Algum tema não poderá ser abordado na comissão?

Não há nenhum tema impedido ou que me incomode.

Casamento gay, por exemplo?

De jeito nenhum. Tenho no meu gabinete pessoas com essa opção. Tenho um projeto que pune a discriminação de raça, sexo, cor, religião, origem, etnia, deficiência, doença ou orientação sexual no comércio. Por exemplo: você é gay e não pode entrar ali. Há discriminação religiosa: o cara é macumbeiro ou crente e não pode ficar ali. A turma está confundindo: os policiais são os principais defensores dos direitos humanos.

Mas as pessoas dizem que na Rota o senhor matou vários...

Com certeza. E não me arrependo em nenhum minuto disso. Estava dentro da lei, trabalhando. Fui julgado, não devo nada. E estou tranquilo para assumir essa função. / M.G.

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