Defasagem escolar de adolescentes é de 60% ou mais

Se em 2000 o País conseguiu colocar quase a totalidade das crianças entre 7 e 14 anos na escola (94,5%), ele não conseguiu acabar com a defasagem escolar. Os dados finais do Censo revelam que, de cada dez alunos na faixa dos 13 anos, seis não cursavam a série que deveriam. Aos 14 anos, já eram sete estudantes atrasados em cada dez.No grupo de pessoas entre 10 e 14 anos, 1 milhão não sabe ler nem escrever. A defasagem varia de acordo com o tamanho da cidade. Ela é maior nos pequenos municípios.Um adolescente de 14 anos que mora em uma cidade com até 20 mil habitantes tem mais chance de não estar no ano correto do que o que mora em uma cidade grande. Nas pequenas, 78,8% das crianças nessa faixa estão atrasadas, contra 63% nos grandes centros. Uma possível explicação é que, nessas pequenas cidades, a maioria dos alunos (94,2%) está na rede pública e são as escolas municipais e estaduais que concentram os maiores índices de defasagem.Rede pública e privadaAs diferenças entre rede pública e privada são grandes. Nas escolas públicas, 74% dos alunos de 14 anos não frequentavam a série que deveriam em 2000. Nas particulares, o porcentual era de 43%. "Como aumentamos o acesso à educação, há mais defasagem. Isso se explica porque as crianças que voltam ou que entram na rede pública já vêm atrasadas.Mas a tendência é redução do problema, com diminuição da repetência", justificou o ministro da Educação, Paulo Renato Souza, que esteve nesta sexta-feira na sede do IBGE para o lançamento de um atlas escolar. Outro problema apontado pela pesquisa foi a baixa escolaridade das crianças de até 6 anos. Na faixa entre 4 e 6 anos, 40% não estavam na escola em 2000.No grupo dos menores, de até 3 anos, o porcentual atingia 91%. "A gente percebe que isso tem a ver com a renda da família. Os mais pobres não conseguem ter acesso para manter seus filhos na escola em todos os níveis", afirma a técnica Dolores Kappel. "Temos que garantir continuidade da educação e isso significa garantir que os jovens ingressem na pré-escola e concluam o 2º grau."Mortalidade infantilOs resultados definitivos do Censo 2000 mostram como foi a performance dos Estados na redução dos índices de mortalidade infantil. Roraima teve o melhor desempenho, com queda de 56% na taxa de mortes de crianças entre 1970 e 2000. O Ceará ficou em segundo lugar, com diminuição de 45% no mesmo período.Mesmo com essa surpreendente queda, Roraima ainda perde para o Rio Grande do Sul, melhor colocado brasileiro. O Estado do Sul registra 16 mortes para cada mil nascidos vivos, enquanto Roraima tem 18,7. Alagoas é que tem a pior taxa brasileira: naquele Estado nordestino morrem 62,5 crianças para cada 1.000 nascidos vivos, uma estatística que aproxima o Brasil de países africanos.Os Estados do Sudeste se aproximam dos níveis mais baixos: São Paulo lidera com a melhor taxa, de 18,5, seguido pelo Rio, 20,6. "Nos surpreendemos com Roraima. É a prova de que as políticas adotadas pelo governo local estão funcionando", explica Celso Simões. No Brasil, o índice caiu muito nos últimos 30 anos. Em 2000, o País tinha um índice de 29,7/1000 - redução de 37,5% em 30 anos.O Nordeste foi a região com a maior queda, 39% no período, passando de 73 para 44,7. Mesmo assim, o Brasil ainda ocupa a 93ª posição no ranking da ONU. Quando se olha apenas para o índice do Nordeste, o País cai para a 110ª posição.Fecundidade e adolescentesEm 2000, o número de filhos por mulher chegou a 2,38 no Brasil. Uma redução significativa quando se olha para as taxas da década de 40, 6,4, ou mesmo de 1991, de 2,8. No mundo, o País ocupa a 69ª posição, segundo um ranking da ONU com 187 países. O Brasil está entre a Tunísia, 2,3, e Bahamas, 2,4. Os Estados Unidos têm um índice de 2,04 e, no topo do ranking, estão os países do Leste Europeu. Latvia, com 1,12, e Bulgária, com 1,14, são os líderes.Na outra ponta, estão o Níger e o Yemen, com 8 e 7,6 filhos por mulher, respectivamente. Em 2000, o Distrito Federal desbancou o Rio de Janeiro e passou ter a menor taxa de fecundidade do País, 1,9. O Rio vem em seguida, com 2,04. O Amapá lidera em fecundidade, 3,6. Entre 1991 e 2000, a maior queda ocorreu na Paraíba, que passou de 3,7 para 2,5. Mais uma vez o IBGE confirma o crescimento da participação das mães adolescentes na fecundidade do País. Para cada mil mulheres entre 15 e 19 anos, 87,4 tinham pelo menos um filho em 1991. Em 2000, já eram 89,5. O que ajuda a reduzir a idade média das mães brasileiras, de 27,2 para 26,3.

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