Declarações de Tasso irritam tucanos

As declarações do governador do Ceará, Tasso Jereissati, em favor de um esforço para manter a parceria com o PFL, cedendo até a cabeça da chapa presidencial para a governadora do Maranhão, Roseana Sarney, surpreenderam o Palácio do Planalto e irritaram tucanos de Norte a Sul. Nem o presidente Fernando Henrique Cardoso compreendeu "o porquê de tanta mágoa".Dirigentes e governadores tucanos evitaram fazer reparos públicos a Tasso, mas ninguém aceita a hipótese de o PSDB virar vice de Roseana, assunto que acabará sendo discutido amanhã, em reunião da executiva nacional com presidentes de diretórios estaduais de todo o Brasil. "A posição do Tasso está muito longe de refletir o que a quase totalidade do PSDB pensa, porque não há a menor possibilidade de uma composição com a Roseana na Presidência", resume o vice-líder do partido na Câmara, Custódio Mattos (MG).O encontro da executiva com dirigentes tucanos nos Estados foi montado para que todos contribuam na definição das estratégias de campanha de Serra. Também serão avaliadas as possibilidades de alianças em cada local. Além da agenda de viagens do candidato, será discutido ainda o formato da campanha eletrônica, que vai ao ar no horário eleitoral gratuito cedido pelo PMDB, no dia 6 de março.Mesmo estando em Nova York, onde participa do Fórum Econômico Mundial, Tasso não escapará das críticas. Em conversa com um interlocutor, Fernando Henrique avaliou que foi mal feito o trabalho de reaproximação entre Serra e o governador do Ceará, que ainda hoje insiste em manter seu nome à disposição do partido na corrida presidencial. O presidente acredita que Tasso acabou forçado a comparecer ao lançamento da candidatura de Serra, no dia 17 de janeiro, o que não garantiu, na prática, a unidade da fotografia.Raro exemplo de tucano que arrisca um pito público no governador, o deputado Custódio Mattos afirma que os tucanos não se sentiriam representados pela candidatura Roseana. Mas ele esclarece que o fato de o PSDB manter-se firme em relação à candidatura Serra não significa nenhum "menosprezo" a qualquer outra candidatura. "Apenas estamos querendo levar adiante um projeto exitoso que está aí há oito anos e que podemos melhorar e acrescentar", conclui.

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