Declarações das Forças Armadas são 'irrelevantes', diz Jobim

Exército considera fala do ministro sobre livro que relata histórias da ditadura militar 'ameaça desnecessária'

Marcelo Auler, do Estadão

31 de agosto de 2007 | 13h24

O ministro da Defesa, Nelson Jobim, classificou de "absolutamente irrelevantes" as declarações de oficiais das Forças Armadas da reserva que criticaram sua fala com relação ao lançamento do livro Direito à memória e à verdade, na última quarta-feira. No lançamento do livro, Jobim disse que , ''não haverá indivíduo que possa a isto reagir e, se houver, terá resposta". O livro relata histórias de prisões, perseguições e torturas de militantes políticos durante a ditadura militar.  Veja também: Leia íntegra de 'Direito à Memória e à Verdade' Blog do Guterman: O barulho dos esqueletos no armário  Brasil joga luz sobre seus anos sombrios, diz ''The Guardian''  O comandante do Exército, general Enzo Martins Peri, voltou nesta sexta da Argentina e terá que administrar insatisfação dos subordinados com o que está sendo considerado de  "ameaça desnecessária" , feita pelo  ministro da Defesa.A insatisfação já era grande com o próprio livro-relatório, lançado no Palácio do Planalto para enterrar as versões dadas pelo regime militar (1964-1985) para o desaparecimento de presos políticos. Traz mais de 400 casos e reconhece oficialmente, pela primeira vez no País, que as forças da repressão cometeram crimes como torturas. Para os militares, o livro só conta um lado da história. Um oficial relatou que eles ficaram "absolutamente perplexos" e "revoltados" com a afirmação de Jobim, durante o seu discurso.   Jobim garantiu que "a maioria absoluta dos militares sabe que este processo representa a pacificação e a conciliação nacional." "Aqueles que preferem ficar com os olhos do passado que fiquem e ficarão para trás."  O ministro está visitando a base aérea da Marinha em São Pedro D'Aldeia, no Estado do Rio, que está comemorando 91 anos. Segundo Jobim, "estamos em um processo em que aquela publicação culmina com o que iniciamos em 1995 com a edição da lei (que prevê a reparação de danos a presos políticos). Aqueles que têm a percepção de aquilo (que prevê a lei) é a conciliação nacional sabem que a conciliação se faz com o exercício da memória e não com a ocupação da memória".

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