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Declarações contra Lula complicam adiamento do mensalão--fontes do PT

As declarações do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes de que o ex-presidente Lula tentou pressioná-lo a defender o adiamento da votação do mensalão enterram chances de o caso ficar para depois das eleições municipais e podem piorar a situação dos 38 acusados, avaliaram lideranças do PT de dentro e fora do governo ouvidas pela Reuters.

ANA FLOR, REUTERS

29 de maio de 2012 | 20h33

As declarações de Mendes, publicadas em reportagem da revista "Veja" no final de semana e confirmadas nesta terça a jornalistas, foram negadas por Lula em nota na segunda-feira. Mesmo assim, a repercussão do caso causou mal-estar no partido e no governo.

Fontes do governo confirmaram à Reuters, sob condição de anonimato, que o Planalto chegou a avaliar a conveniência do encontro entre a presidente Dilma Rousseff e o presidente do STF, Carlos Ayres Britto, na tarde desta terça, por uma possível associação do Planalto com o caso. O Planalto afirmou, entretanto, que a agenda estava marcada desde a semana passada.

"De qualquer maneira, é importante demonstrar que a relação entre as duas instituições não foi afetada", afirmou outra fonte do governo ligada ao PT, ao falar da agenda da presidente.

Lula, que na nota afirmou sentir "indignação" com as afirmações, estará em Brasília para uma palestra nesta quarta-feira. Ele chegou a ser cobrado pelo presidente do STF para que desse explicações.

Em outra frente, o presidente nacional do PT, Rui Falcão, divulgou vídeo no site do partido em que pede à militância que fique atenta "às manobras" que tentam "comprometer" Lula. Disse ainda que se espera que os ministros do STF julguem o mensalão conforme os autos do processo. Falcão denunciou ainda que há uma tentativa de "embaralhar" as conclusões da CPI do Cachoeira no Congresso.

"GRANDE DANO"

Segundo o relato dos petistas, o caso deve ficar "na palavra de um contra o outro", uma vez que a terceira pessoa a participar do encontro, ocorrido em abril, o ex-ministro Nelson Jobim negou que Lula tenha pressionado Mendes. Mesmo assim, a avaliação é de que o caso traz "grande dano" à defesa dos réus, porque poderia comprometer a neutralidade dos ministros dos STF.

"Vai parecer que quem votar pela absolvição cedeu à pressão de Lula", disse outra fonte.

O escândalo do mensalão, denunciado em 2005, foi o momento mais conturbado do governo Lula. Sob o suposto esquema, parlamentares receberiam dinheiro em troca de apoio político ao governo. O ministro-chefe da Casa Civil à época da denúncia, José Dirceu, foi apontado como um dos chefes do esquema e está entre os réus.

O julgamento ainda não tem data prevista, mas quando tomou posse como presidente da Corte em abril, o ministro Carlos Ayres Britto disse que pretendia colocar o caso na pauta do tribunal assim que o processo fosse liberado pelo ministro revisor do caso, Ricardo Lewandowski. A previsão é que comece no mês de agosto, mas lideranças do PT gostariam que o julgamento ficasse para depois da eleição municipal, em outubro.

Partidos de oposição entraram na segunda-feira com uma representação contra Lula na Procuradoria Geral da República. O procurador-geral, Roberto Gurgel, encaminhou para a primeira instância, sob o argumento de que Lula não tem mais foro privilegiado. A oposição pede que se investigue se Lula cometeu crimes de tráfico de influência, coação em processo em andamento e corrupção ativa.

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